ONU questiona status do dólar como moeda mundial

Um painel de discussões da Organização das Nações Unidas (ONU) intensificou o debate sobre o status do dólar como moeda internacional de reserva. A organização defendeu um novo sistema de baixo atrelamento, capaz de corrigir os severos déficits de nações devedoras, como os Estados Unidos, e os superávits de países como a China.

CYNTHIA DECLOEDT, Agencia Estado

08 de setembro de 2009 | 08h54

O relatório da conferência sobre o Comércio e Desenvolvimento das Nações Unidas, divulgado ontem, defendeu que as economias mundiais se sairiam melhor com um sistema em que os governos interviessem quando necessário para defender ou depreciar suas próprias moedas. "Uma solução viável ao problema do câmbio seria um sistema com taxa de câmbio flexível, administrado de modo a ter como meta uma taxa consistente com uma posição sustentável em conta corrente, a qual é preferível em qualquer ''situação sem saída''. Mas como a taxa de câmbio é uma variável que envolve mais do que uma moeda, há melhor chance de se atingir um padrão estável de taxa de câmbio em um esquema com consenso multilateral para a administração do câmbio", registrou o documento.

O papel do dólar como moeda de reserva tem sido criticado ultimamente, especialmente por China e Rússia, que têm pedido sua substituição pelos Direitos Especiais de Saque (DES) do Fundo Monetário Internacional (FMI). Muitos consideram essa proposta impraticável, diante da baixa disponibilidade ou do fraco poder de compra dos DES além de seu atual papel de moeda para cumprimento de obrigações internacionais com o fundo.

A ONU também considera o uso dos DES impraticável, mas destaca problemas com o atual sistema. "Uma economia cuja moeda é utilizada como moeda de reserva não tem as mesmas obrigações que outras de fazer os necessários ajustes macroeconômicos e no câmbio necessários para evitar a manutenção do déficit em conta corrente. Portanto, a dominância do dólar como o principal meio internacional de pagamento foi também responsável pelo aumento dos desequilíbrios globais na atual crise", diz o relatório.

O documento também citou os superávits da China e da Alemanha. Enquanto países devedores como os EUA são levados a reduzir suas importações quando sua habilidade de obter financiamento externo atinge um limite, "países superavitários não têm a obrigação sistemática de elevar suas importações para equilibrar os pagamentos". Em resposta, a ONU defende um sistema em que os países possam administrar o câmbio dentro de uma banda. Isso diminuiria a especulação, evitaria crises com moedas, desequilíbrios de longa duração, armadilhas com dívidas de países em desenvolvimento e minimizaria a necessidade de manutenção de reservas internacionais. "O estabelecimento de tal sistema levaria algum tempo, porque exige consenso internacional e construção de instituições multilaterais", ressaltou a organização. As informações são da Dow Jones.

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