ONU reduz ajuda a pobres

Com menos dinheiro, auxílio a famintos é limitado

, O Estadao de S.Paulo

13 de junho de 2009 | 00h00

A crise econômica mundial fez a Organização das Nações Unidas (ONU) cortar rações e alimentos distribuídos para alguns dos países mais pobres. Dados obtidos pelo Estado apontam que o volume de comida dado a cada pessoa na Etiópia, Uganda, Quênia e Coreia do Norte foi reduzido. A ONU não consegue obter recursos de países ricos para financiar seus programas. "Estamos apelando. Afinal, o que precisamos para alimentar a população mais pobre do planeta não chega sequer a 1% do que os bancos receberam dos governos nos últimos meses", disse Emilia Casella, porta-voz do Programa da ONU para Alimentação.A meta da ONU era de alimentar 105 milhões de pessoas em 2009. Para isso, precisava de US$ 6,4 bilhões. Mas, até agora, recebeu apenas US$ 1,3 bilhão. Para tradicionais doadores, como Estados Unidos, Europa e Japão, os problemas domésticos estão sugando grande parte dos recursos. O resultado tem sido um corte drástico nos programas em várias partes do mundo.Na Coreia do Norte, a meta era de alimentar 6 milhões de pessoas em 2009. Mas os recursos só atendem 1,8 milhão. E as porções diárias de comida estão menores. As cotas também estão reduzidas na Etiópia e no Quênia. E, em Uganda, a ONU suspendeu a distribuição de alimentos para 600 mil pessoas. Em Ruanda, a ONU reduziu os cereais distribuídos de 420 gramas por dia por pessoa para 320 gramas. "A crise econômica colocou uma sombra sobre a crise de alimentos. A fome não acabou. Na realidade, ela está aumentando, enquanto nós estamos sem dinheiro", afirmou a porta-voz. Em 2008, os preços dos alimentos atingiram altas históricas, o que elevou o número de famintos para mais de 1 bilhão de pessoas pela primeira vez. Desde então, o valor das commodities nos mercados internacionais caiu. Mas não o suficiente para que os mais pobres voltassem a ter recursos para comer. Hoje, os preços de cereais continuam 70% acima da média de 2005. REMESSASOutro problema é que, com a crise, muitos países sofreram uma queda de remessas de emigrantes que eram responsáveis por grande parte da renda de famílias inteiras. Na Armênia, as remessas representavam 20% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, em 2008, e devem cair para até 6% em 2009.

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