ONU vê crescentes riscos de recessão econômica global

A Organização das Nações Unidasalertou na quarta-feira sobre "perigos claros e presentes" de aeconomia mundial se aproximar de uma recessão neste ano porcausa dos problemas com moradias e crédito nos Estados Unidos,além do dólar fraco. Em um relatório anual, o órgão mundial previu crescimentoeconômico global a 3,4 por cento em 2008, apenas um pouco menordo que no ano passado, mas disse que sob um cenário pessimista,caso as dificuldades nos EUA sejam grandes, o número poderiaser de apenas 1,6 por cento. A explosão da bolha das moradias nos EUA no ano passado euma crise no financiamento imobiliário de alto risco causouincerteza em todos os mercados financeiros, disse a publicaçãoSituação Econômica Global e Perspectivas 2008. O declínio do dólar e os desequilíbrios entre países quebuscam superávits, como a China, o Japão e nações produtoras depetróleo, e outras com grandes déficits, como os EUA,contribuiriam para reduzir a produção mundial, afirma apublicação da ONU. Os problemas dos EUA "poderiam gerar uma recessão mundial eum ajuste não-ordenado dos desequilíbrios globais", de acordocom o relatório. "As recentes turbulências nas finanças globaiselevaram os riscos e se mostraram como perigos claros epresentes". "A projeção ainda não é para uma recessão, mas os riscosestão lá", disse Rob Vos, diretor de divisão do departamento deassuntos econômicos e sociais da ONU. Em uma entrevistacoletiva, ele estimou em 50 por cento a chance de uma recessãonos EUA, dizendo que teria sido mais otimista há dois meses. O relatório anterior da ONU, há um ano, se mostroupessimista demais. O estudo dizia que o crescimento mundial em2007 cairia para 3,2 por cento, mas o resultado é de cerca de3,7 por cento, informou o novo relatório. O texto, de 170 páginas, foi compilado por sete órgãos daONU e estima que o PIB dos EUA crescerá 2 por cento neste anoem comparação com a estimativa de 2,2 por cento para o anopassado. O relatório alerta, porém, que essa previsão pode servirtualmente anulada caso os preços de moradias nos EUA recuematé 15 por cento. As economias do Japão e da Europa Ocidental,que já operam perto da capacidade máxima de produção, poderiamnão aguentar o baque.

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