ONU:Brasil não traduz comércio exterior em ganho social

O Brasil subiu no ranking das Nações Unidas que mede a capacidade dos países em transformar seus ganhos com o comércio exterior em desenvolvimento econômico e social. Mas a ONU alerta que o País, que é superado até pela Bolívia e Colômbia na classificação, ainda não conseguiu traduzir plenamente os ganhos das exportações à toda a sociedade e deveria estar em uma situação bem melhor diante do potencial que possui. As Nações Unidas esperam que o País possa identificar os obstáculos para participar de uma maneira mais eficiente do comércio mundial e que essa participação gere crescimento econômico, empregos e melhorias sociais."A posição do Brasil ainda surpreende. O País teve bons resultados em seu comércio, mas não apresenta o mesmo desempenho nos setores sociais, criação de emprego e ambientais", afirmou o secretário-geral da Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), Supachai Panitchpakdi, visivelmente decepcionado com o desempenho do País. Pelo ranking, o Brasil subiu da 60ª posição em 2005 para a 54ª no ano passado, entre 123 países avaliados. "O Brasil deveria estar bem melhor", alertou.A liderança do ranking é dos Estados Unidos, seguidos pela Alemanha, Dinamarca e Reino Unido. Segundo Supachai, os países mais bem colocados são os que tem políticas mais coerentes entre a área social, comercial e econômica. Entre os países em desenvolvimento, o melhor é Cingapura, em quinto lugar. "Esses países sabem tirar vantagens do comércio para elevar seu nível de vida", afirmou o relatório. A avaliação das políticas comerciais serve para orientar os governos sobre como montar estratégias de desenvolvimento a partir de seus ganhos com exportações.A China, que já aparece em alguns meses como maior exportador do mundo, ocupa apenas a 25ª posição no ranking da ONU, já que ainda não conseguiu traduzir todos os ganhos em melhorias sociais para sua população. Mesmo assim, continua subindo progressivamente no ranking. Já o Brasil está entre os 24 maiores exportadores do mundo e representa 1,66% do comércio mundial de bens e serviços. Mas no ranking empata com a Argentina e é superado por Bolívia, Albânia e Colômbia.

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