DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
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Onyx: com pé no chão, dá para ter margem de 330 votos para aprovar Previdência

O ministro reafirmou a intenção de manter a potência fiscal da proposta ao redor de R$ 1 trilhão

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2019 | 12h07

Brasília - O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse neste domingo, 7, que nos cálculos do governo já existem cerca 330 votos para aprovar a proposta de reforma da Previdência no plenário da Câmara nesta semana. "Temos um cálculo realista ao redor de 330, com pé bem no chão, caminhamos para ter algo em torno de 330 e pode ser até mais do que isso. É uma margem que a gente acredita ser possível", afirmou Onyx na saída de reunião na residência oficial do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), nesta manhã.

O ministro disse que, durante o encontro, foram discutidos procedimentos para dar início à votação da matéria na terça-feira, como já anunciou Maia. O secretário de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Rogério Marinho, também estava na casa de Maia.

Onyx disse ainda acreditar que não haverá desidratação da reforma durante a fase de plenário, "é claro que pontualmente alguma questão pode surgir no plenário", mas reafirmou que a intenção é manter a potência fiscal da proposta ao redor de R$ 1 trilhão. "Estamos conseguindo sensibilidade das bancadas", disse. "Este governo fala pouco, trabalha muito e colhe resultados".

O ministro disse que o processo de votação da matéria será iniciado na terça-feira, mas previu que a votação em si só ocorrerá de fato na quarta-feira. Para ele, no plenário, pode haver até uma proporção maior de votos do que na comissão especial.

Onyx afirmou também que o governo defende que o pedágio de 100% para se conseguir a aposentadoria deve valer para todos.

Sobre os policiais, que ainda devem pressionar por ajustes favoráveis à categoria no plenário, o ministro explicou que existem muitas questões a serem tratadas que não são só em torno da idade, mas avaliou que mudanças importantes já foram feitas na comissão especial. "Me parece que o texto aprovado na comissão já contempla questões importantes para policiais", disse.

Contestado por jornalista sobre se o parecer atenderia mesmo às demandas da categoria, Onyx repetiu: "Na avaliação que nós temos, já há no texto uma possibilidade de que isso esteja atendido". Mesmo assim, Onyx disse que técnicos ainda farão uma avaliação bastante detalhada sobre o pleito dos policiais para discutirem melhor o assunto. "Eu devo receber na tarde de hoje uma análise sobre isso", informou o ministro.

Kit obstrução

Ao sair da reunião, Marinho manifestou confiança na aprovação da reforma esta semana, mas alertou que é preciso vencer o kit obstrução.

Ele acabou revelando que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), também participou da conversa. Com residência vizinha à de Maia, Alcolumbre passou por uma entrada interna nos jardins entre as casas. Marinho até brincou: "Agora tem uma porteira que fica aberta". Marinho estava acompanhado de seu secretário adjunto, Bruno Bianco.

Bastante cauteloso, Marinho não quis comentar sobre a avaliação técnica que o governo está fazendo sobre as questões envolvendo policiais e que será encaminhada a Onyx na tarde deste domingo. "Não posso explicar, deixa as coisas acontecerem".

Apesar do kit obstrução, já esperado pelas lideranças governistas, Marinho disse que tem muito mais gente a favor da reforma do que contra. "Vocês viram o Placar do Estadão", perguntou o secretário. O Placar da Previdência, levantamento feito pelo Estado e divulgado neste domingo, aponta que a proposta conta com o apoio de 247 deputados. Desses, 229 afirmam que dariam sim à reforma com o mesmo teor que foi aprovado na Comissão Especial, e 18 condicionaram a aprovação a ajustes.

Questionado se o deputado Alessandro Molon, que é líder da oposição, também seria a favor da reforma, Marinho disse: "Molon todo dia fala bem da reforma, com ressalvas. Ele bota uma vírgula lá e diz: isso aqui está muito bom, mas...". Marinho disse em seguida acreditar que a reforma receberá votos favoráveis da oposição.

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