Opep adia novo corte de produção em meio a divisões

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) adiou neste sábado a decisão sobre um novo corte na oferta de petróleo, com sinais de que a Arábia Saudita e seus aliados do Golfo exigem uma adesão mais firme às reduções adotas há dois meses. Os produtores do Golfo querem ver o cumprimento total dos dois cortes de produção feitos recentemente antes de pensar em novas reduções no encontro de 17 de dezembro, na Argélia. "Acho que o cumprimento está sendo OK", disse o ministro do Petróleo do Kuwait, Mohammad al-Olaim. "Mas as condições do mercado exigem que nosso compromisso seja de 100 por cento." Ainda que a principal prioridade da Opep seja estabelecer um piso para o petróleo, cujos preços desabaram 90 dólares para chegar a 55 dólares por barril, a Arábia Saudita identificou pela primeira vez em anos um preço "justo" --75 dólares por barril. "Há uma boa lógica para o preço de 75 dólares por barril", disse o ministro saudita do Petróleo, Ali al-Naimi. "Sabe por quê? Porque eu acredito que 75 dólares é o preço para o produtor marginal. Se o mundo precisa de oferta de todas as fontes, precisamos proteger o preço para eles. Eu acho que 75 dólares é um preço justo." O preço servirá de referência para o mercado quando a demanda mundial por petróleo começar a emergir da atual recessão. Mas, agora, o mercado de petróleo está focado em saber se a Opep pode evitar que os preços caiam ainda mais, evitando exibir as divisões internas que prejudicaram sua resposta à queda dos preços em crises econômicas anteriores. "75 dólares por barril não parece factível no curto prazo", disse Raja Kiwan, da consultoria PFC Energy. "Dada a natureza indisciplinada da Opep no cumprimento das cotas, eles podem ter alguns problemas." Delegados disseram que Riad e os vizinhos Kuwait e Emirados Árabes Unidos querem ter certeza de que os outros 12 membros do cartel estão cumprindo sua parte nos cortes. Um delegado identificou Irã e Venezuela, defensores de cortes mais rápidos na oferta, como fontes particulares de preocupação. A Venezuela rechaçou a acusação. O Irã não fez comentários. (Reportagem adicional de Peg Mackey, Luke Pachymuthu e Will Rasmussen)

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