Coluna

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Opep convoca reunião para definir detalhes de corte na oferta

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) convocou uma reunião na quinta-feira, no Catar, com o objetivo de distribuir entre seus membros o corte na oferta, que será de 1 milhão de barris diário, que a organização julga necessário para frear a queda dos preços. "Haverá uma reunião no dia 19 no Catar", confirmou à EFE hoje, em Viena, Tarek Amin, porta-voz da Opep, após afirmar que os ministros do grupo decidiram no sábado realizar a reunião extraordinária.O ministro de Energia argelino, Chakib Khelil, disse hoje em Argel que a Opep chegou a um acordo para diminuir a produção do grupo em 1 milhão de barris diários (mbd). Khelil disse que, "sem dúvida" a medida terá um impacto no mercado, "que é o que desejamos".O ministro de Energia venezuelano, Rafael Ramírez, já tinha antecipado na sexta-feira que "há um consenso para reduzir a produção em 1 mbd, mas temos que nos reunir para definir o mecanismo dessa redução".Em sua última conferência regular, em 11 de setembro de 2006 em Viena, o Conselho de Ministros da Opep decidiu não fazer mudanças no nível da oferta e, portanto, prolongar a vigência da cota oficial de produção conjunta de dez dos onze membros - todos menos o Iraque -, em 28 milhões de barris diários (mbd).Modificação de cotas Essa cota foi modificada pela última vez em 1 de julho de 2005, quando entrou em vigor a última alta da oferta, de 500 mil barris diários, após uma sucessiva série de aumentos adotados desde junho de 2004 para conter a forte escalada do preço do petróleo.A alta inesperada foi devido a uma conjunção múltipla de fatores, entre eles o forte crescimento da demanda, principalmente nos Estados Unidos e na China, a deterioração do clima geopolítico - e com isso uma maior incerteza - e diversas limitações na capacidade produtiva do setor.Entre 2004 e meados de 2006, as cotações do petróleo subiram cerca de 144%, comparando o nível de US$ 30 de 2004 ao valor recorde que ultrapassou US$ 78 em 2006. No entanto, nos dois últimos meses e meio a tendência foi revertida e o preço do petróleo caiu 25%.O barril do Petróleo Intermediário do Texas (WTI, leve) fechou esta semana a US$ 58,57 na Bolsa Mercantil de Nova York (NYMEX), após ter caído na quarta-feira passada para US$ 57,59, nível mais baixo de 2006.Na Bolsa Intercontinental de Futuros (ICE Futures) de Londres, o barril de petróleo Brent - de referência na Europa - fechou na sexta-feira a US$ 59,52, enquanto o da Opep caiu para US$ 54,19 frente ao recorde de US$ 72,67 em 8 de agosto.Oferta não cai desde abril de 2004A Opep não realiza um corte na oferta desde abril de 2004, e agora está diante da necessidade de reordenar a distribuição do mercado, que implica na fixação de limites de produção para cada país. Durante a escalada dos preços, houve sinal verde dentro da organização para que cada membro produza no máximo de sua capacidade, pois só assim conseguiram atingir o teto atual de 28 mbd (cerca de 30 mbd com a produção iraquiana), nível mais alto de produção no último quarto de século.Embora os volumes totais da cota e da produção coincidam em linhas gerais desde julho de 2005, o mesmo não ocorre com os volumes nacionais de produção real frente às cotas estabelecidas. Alguns países, como Venezuela, Irã, Indonésia e Nigéria, que atualmente produzem abaixo de sua cota nacional, querem que a maior parte dos cortes sejam feitos por membros como Arábia Saudita, Argélia, Emirados Árabes Unidos e Kuwait, que ultrapassam seu teto nacional.No entanto, estes últimos consideram que chegou a hora de mudar as cotas no papel e substituí-las por novos níveis mais próximos da realidade, que possam servir de base para outros cortes futuros. "Chegamos a um consenso e todos os membros concordaram que temos que contribuir para a queda da produção, que será anunciada de forma oficial e coerente em Doha", disse hoje o ministro argelino.Importância da reuniãoA reunião da quinta-feira terá especial importância, pois os mercados esperam há semanas a decisão dos membros do grupo sobre a questão, indispensável para que a Opep recupere o controle sobre os preços. Diante das previsões de um arrefecimento do crescimento econômico e da demanda mundial de energia em 2007, alguns observadores afirmam que a Opep pode ficar em breve frente à necessidade de continuar limitando sua produção.Na reunião convocada para 14 de dezembro, em Abuja, não se descarta que haja um novo corte, e a reunião no Catar pode servir para preparar o terreno.

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