Opep critica etanol e subsídios dos governos à produção

Representante disse que etanol e outros biocombustíveis provocam uma alta dos preços dos alimentos

JOÃO CAMINOTO, ENVIADO ESPECIAL, Agencia Estado

25 de janeiro de 2008 | 13h44

O uso do etanol como alternativa energética foi alvo de fortes críticas por um graduado representante da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Abdulla Bin Hamad Al Attiyah, vice-primeiro-ministro do Catar, disse que a produção de etanol é fortemente subsidiada pelos governos. Ele citou uma reportagem publicada no ano passado pelo jornal Financial Times, que calculou que o barril de etanol custaria cerca de US$ 130 sem o apoio oficial. Além disso, Al Attiyah disse que a produção de etanol e outros biocombustíveis está provocando uma alta dos preços dos alimentos em todo o mundo, prejudicando as populações mais pobres."O que é melhor: dirigir ou comer?", ironizou Al Attiyah durante uma entrevista coletiva à imprensa na qual foram apresentados os resultados da "Cúpula de Energia", encontro paralelo ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, que reuniu autoridades e analistas.Ao tomar conhecimento da presença de jornalistas de um órgão de comunicação brasileiro - o Grupo Estado - na entrevista, o representante da Opep tentou aliviar suas declarações. "Nós sempre defendemos a mistura de biocombustíveis como o etanol aos combustíveis tradicionais e os subsídios mencionados pelo Financial Times referem-se à produção de etanol nos Estados Unidos e Europa e não ao de cana-de-açúcar do Brasil de meu amigo presidente Lula", afirmou Al Attiyah, que também é o ministro de Energia do Catar. "Mas está mais do que claro que o uso de terras para a produção de etanol está ajudando a encarecer os preços dos alimentos, estamos sentindo isso em nosso próprio país".Apesar dos esforços dos governo brasileiro em colocar o etanol no topo da agenda global sobre combustíveis alternativos, a "Cúpula de Energia" o relegou a um segundo plano. Tanto que na entrevista à imprensa na qual foram apresentados os resultados do encontro, o seminário sobre biocombustíveis não tinha ainda sido realizado. Um dos coodenadores da reunião, o executivo-chefe do grupo Shell, Jeroen van der Veer, disse que "houve algumas discussões sobre o uso de etanol", sem prover maiores detalhes.

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