Opep culpa subsídios ao etanol por alta dos alimentos

Relatório de maiores exportadores de petróleo diz que usinas de biocombustíveis da UE vivem pane seca

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

15 de maio de 2008 | 12h26

Os principais produtores de petróleo culpam os subsídios ao etanol pela alta nos preços de alimentos, pela degradação ambiental e apontam que as usinas européias de biocombustíveis estão vivendo uma pane seca.  Veja também: 'Queremos entrar na Opep', diz Lula a revista alemãLula aproveita visita de chanceler alemã para defender etanol País pode ter o terceiro maior campo de petróleoPreço do petróleo em alta Entenda a crise dos alimentos  Nesta quinta-feira, 15, em seu relatório mensal sobre o mercado de energia, a Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) acusou os subsídios europeus ao setor de biocombustíveis de estar gerando uma "falta" no mercado de commodities agrícolas. Há poucos dias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a idéia do Brasil é de aderir à Opep. "Essas medidas não apenas levaram a um incremento dos preços dos alimentos na Europa e na Ásia, mas também causaram problemas ambientais", afirmou o relatório da Opep. A crítica da entidade contra a UE não foi bem aceita em Bruxelas. A comissária da UE para Agricultura, Marianne Fischer Boel, garante que o etanol não é o responsável pela alta nos preços dos alimentos e que o bloco estaria usando apenas 2% de sua produção de cereais para alimentar as usinas de etanol.  Segundo a Opep, os subsídios estariam afetando a própria indústria do etanol. Isso porque o dinheiro distribuído acabou colaborando para a alta nos preços dos alimentos e cereais. Agora, são as próprias usinas européias de etanol que estariam sofrendo para comprar matéria-prima diante dos preços elevados. "Devido à alta nos preços de alimentos, algumas usinas de biodiesel, que aparentavam ser o principal motivo do crescimento dos preços dos alimentos, decidiram congelar suas produções diante da alta no valor da matéria prima e até mudar de ramo", afirmou a Opep.  Segundo o cartel com sede em Viena, essa nova realidade está obrigando a UE a "reavaliar seus planos para os biocombustíveis". De acordo com a meta da UE, 10% dos carros no bloco estariam sendo alimentos por etanol até 2020. A meta deverá ser obrigatória a todos os países e quem não cumprir sofreria sanções. Para a entidade, a UE não está revendo essa meta apenas para poder lidar com a falta de alimentos, mas também "diante das acusações de que os biocombustíveis não geram tantos benefícios ao meio ambiente como se achava antes", concluiu a Opep.

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