Juros

E-Investidor: Esperado, novo corte da Selic deve acelerar troca da renda fixa por variável

Opep decide manter níveis de produção atuais, dizem delegados

Organização reforçou entre membros que níveis de 4,2 milhões de barris por dia devem ser implementados

Efe e AE-Dow Jones,

15 de março de 2009 | 12h37

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) se comprometeu neste domingo, 15, em Viena, a cumprir estritamente o corte de sua produção de petróleo em 4,2 milhões de barris diários (mbd), estipulado em dezembro, em Oran (Argélia), e que já foi completado em 80%.

 

Veja também:

link Opep avalia novos cortes ou cumprimento de metas na produção

especialDe olho nos sintomas da crise econômica 

especialDicionário da crise 

especialLições de 29

especialComo o mundo reage à crise   

 

Vários ministros do Petróleo deram essa confirmação hoje, após uma reunião ordinária da organização em Viena, e precisaram, no entanto, que este acordo só terá vigência até maio, quando a Opep se reunirá novamente, em uma conferência extraordinária.

 

O ministro do Petróleo equatoriano, Darlis Palacios, disse à Agência Efe que "estamos cumprindo (o acordo de Oran) em 79% e decidimos ir a 100%".

 

Acrescentou que, se for necessário, haverá uma reunião ministerial em maio, cuja data foi definida para o dia 28 do citado mês na saída das deliberações pelo ministro do Petróleo catariano, Abdullah al-Attiyah.

 

Após expressar sua satisfação com os resultados alcançados hoje em Viena, Palacios ressaltou que o Equador reduzirá sua produção a 460 mil barris diários.

 

A conferência ministerial de Viena aconteceu sob a clara determinação de continuar "fechando as torneiras" para defender o preço do petróleo, em meio a uma decrescente demanda, prejudicada pela crise econômica mundial.

 

"Se não cortarmos, o preço cairá ainda mais", advertiu hoje à imprensa o ministro da Energia argelino, Chakib Khelil.

 

Khelil considerou necessário retirar do mercado 1,2 milhão de barris diários (mbd), enquanto o ministro do Petróleo venezuelano, Rafael Ramírez, cifrou o volume excedente em entre 1 a 1,5 mbd.

 

Em dezembro do ano passado, os ministros da organização petrolífera decidiram em Oran reduzir em 4,2 mbd sua oferta, ao deixar em 24,84 mbd o limite máximo de extração de 11 países-membros do cartel (todos menos o Iraque).

 

Rússia

O vice-primeiro-ministro da Rússia, Igor Sechin, disse a repórteres que, em 2008, o país reduziu as exportações de petróleo em 15 milhões de toneladas e a produção da commodity em 3 milhões de toneladas em comparação a 2007.

 

Em uma entrevista concedida pouco antes da reunião dos integrantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) em Viena, Sechin afirmou que as companhias da Rússia apoiam o esforço do cartel para equilibrar o mercado. "No ano passado, as empresas russas diminuíram a produção no final do ano em 3 milhões de toneladas, e as exportações em 15 milhões de toneladas."

 

Algumas autoridades da Opep mostraram dúvidas sobre o comprometimento da Rússia em relação à redução da oferta de petróleo proposta pelo cartel no ano passado para conter o desaquecimento nos preços da commodity.

 

Comunicado

 

Veja a seguir os principais trechos do comunicado oficial da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) divulgado ao final do 152º Encontro de Conferência realizado em Viena. No encontro, os ministros revisaram o relatório geral do secretário-geral, o relatório do Conselho de Comissão Econômica e o relatório do Subcomitê de Monitoração Ministerial.

 

"Em sua revisão dos recentes desenvolvimentos do mercado de petróleo, junto com as projeções do secretariado para oferta e demanda em 2009, a Conferência preocupou-se em observar que a economia mundial está no meio da pior recessão econômica global em décadas, com a previsão de da economia mundial contrair 0,2% em 2009 sendo consideravelmente mais baixo do que a previsão feita em dezembro de 2008, e os riscos dominantes, especialmente na região da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). A Conferência também observou que enquanto uma condição necessária para a recuperação econômica seja um retorno da confiança nos mercados financeiros e que os riscos sistêmicos para o sistema financeiro já tenham sido reduzidos, o grau de sucesso dos planos de socorro aos bancos e pacotes de estímulo fiscal pode apenas se tornar evidente mais tarde no ano, fora isso, os mercados de ações permanecem em tendência de baixa, com potencial para um movimento de queda adicional."

 

"A Conferência também observou com preocupação o profundo impacto do declínio econômico na demanda mundial de petróleo, estimada em encolher 1,0 milhão de barris/dia em 2009 para 84,6 milhões de barris/dia. Como resultado disso, os elevados níveis dos estoques, que atualmente cobrem o equivalente a 59 dias de consumo, vão persistir. Ao mesmo tempo, a Conferência observou que a oferta de países fora da Opep está prevista em aumentar em 0,4 milhão de barris/dia em 2009, para 50,7 milhões de barris/dia."

 

"Com relação a isto, a Conferência expressou sua esperança que as decisões tomadas no próximo encontro do G-20, em abril de 2009, possam contribuir para uma melhora substancial da economia mundial."

 

"Contudo, a Conferência saudou alguns sinais iniciais de uma reversão na tendência dos estoques de petróleo bruto e um estreitamente da situação de contango na estrutura de preço dos contratos de prazos mais curtos, indicando que o processo de ajuste instigado através das medidas da Opep em relação ao excesso de oferta no mercado esteja gradualmente ajudando a corrigir o equilíbrio, e também expressou sua satisfação ao observar que depois da decisão tomada no 151º Encontro (Extraordinário) da Conferência em dezembro de 2008 para cortar 4,2 milhões de barris/dia dos níveis reais de produção de setembro de 2008, que entrou em vigor em 1 de janeiro de 2009, constatou no mês de fevereiro, de acordo com fontes secundárias, a adesão de 79%, o que tem contribuído para equilibrar o preço da cesta de referência da Opep ao redor de US$ 40 por barril desde o início do ano, apesar da crítica perspectiva econômica."

 

"A Conferência, portanto, enfatizou seu compromisso de cumprir totalmente sua decisão de dezembro de 2008, com objetivo de contribuir mais para a estabilidade do mercado. O secretariado vai monitorar muito de perto os desenvolvimentos no mercado. Além disso, a Conferência vai se reunir em Viena, no dia 18 de maior de 2009, para considerar qualquer ação adicional necessária."

 

"Ao mesmo tempo, a Conferência reiterou seu compromisso para estabilizar o mercado, assegurando uma oferta regular de petróleo aos consumidores a níveis de preço que sejam justos não apenas para a economia mundial, para os consumidores, mas também para assegurar a oferta futura adequada." As informações são da Dow Jones.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.