Opep deve marcar reunião extraordinária

A Opep não deve reduzir as cotas de produção no encontro de amanhã em Doha, mas vários representantes dos países-membros do grupo discutem a possibilidade de uma reunião extraordinária se necessário, entre o final de julho e início de agosto, antes do próximo encontro formal de setembro. Aparentemente, há consenso também de que os preços do petróleo encontram-se em níveis elevados o suficiente para, por enquanto, excluir a possibilidade de corte da produção. De acordo com o ministro do Petróleo da Argélia, Chakib Khelil, o principal ponto da discussão amanhã será a estabilidade dos preços da commodity e não as cotas de produção de cada país. "Estamos preocupados porque os preços estão elevados. Mas estão altos não porque há falta de petróleo. Estão elevados por conta das incertezas presentes no mercado", disse. O governador iraniano da Opep, Hussein Kazempour-Ardebili, defende a manutenção das atuais cotas, já que os preços da commodity não encontram-se em níveis tão baixos. Segundo ele, se um corte tornar-se necessário, a Opep poderá reunir-se antes de setembro. O ministro interino do petróleo do Kuwait, xeque Ahmad Fahad al-Ahmad al-Sabah, acredita que a Opep deverá manter o atual teto de produção até setembro. Já o ministro do petróleo dos Emirados Árabes Unidos, Saif al-Nasseri, afirmou que os preços do petróleo encontram-se em níveis confortáveis agora e reiterou a necessidade de corte da produção excedente à cota atual do cartel.Retomada da produção iraquianaA Líbia expressou preocupação com os detalhes sobre a reintegração da produção do Iraque na Opep, segundo fonte da representação do país. O Iraque detém a segunda maior reserva de petróleo do mundo. De acordo com o delegado da Líbia na Opep, grandes alterações na cota serão necessárias, uma vez que a Arábia Saudita não deve reduzir sua produção aos níveis anteriores à primeira guerra contra o Iraque. A produção saudita foi elevada de 5,4 milhões diários antes da invasão do Kuwait, para a média de 8 milhões de barris nos últimos dez anos. O presidente da Opep, Abdullah bin Hamad al-Attiyah, também demonstrou preocupação com a retomada da produção iraquiana. Segundo ele, o Iraque estará produzindo 1 milhão de barris diários de petróleo a partir do terceiro trimestre e o grupo terá de abrir espaço para a produção do país. "Não deveríamos esperar até o surgimento de uma crise. Aprendemos muito em 1997 e 1999. Temos de ser cuidadosos", disse Al-Attiyah. O representante da Líbia diz que o país, ao contrário dos demais membros do grupo, não vê problema em negociar com um representante do atual governo do Iraque. Os demais países dizem que o Iraque não pode ser representado dentro da Opep até que o país tenha um governo reconhecido pelas Nações Unidas.Venezuela atinge 2,92 milhões de barris de petróleo/dia

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