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Opep discutirá em dezembro corte de mais 500 mil barris

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) decidirá no dia 14 de dezembro, em Abuja (Nigéria), se reduz sua produção em mais 500 mil barris diários, disse nesta segunda-feira o ministro de Energia e Petróleo da Venezuela, Rafael Ramírez.O ministro destacou que se uma decisão neste sentido for tomada, o corte em relação à produção atual passará a ser de 1,7 milhão de barris ao dia. Ramírez, que foi entrevistado pela Radio Unión, disse que a Opep quer estabilizar o preço do barril num nível aceitável para todos.Segundo o ministro, dadas as atuais circunstâncias, esse nível seria de US$ 60. Ramírez disse ainda que o preço do barril nunca mais voltará à cada dos US$ 30 porque há "fatores estruturais" que o impedem.Entre esses fatores, citou a utilização quase no limite da capacidade de produção e a falta de refinarias para processar o petróleo extraído. Além disso, mencionou que economias como as de Estados Unidos, China e Índia assimilaram sem problemas os novos níveis de preços.Ramírez também lembrou que os cortes da Opep serão distribuídos entre Arábia Saudita, Argélia, Emirados Árabes, Indonésia, Irã, Kuwait, Líbia, Nigéria, Catar e Venezuela. O Iraque ficará de fora devido à situação especial que enfrenta.O ministro assegurou ainda que os países consumidores acumularam reservas de petróleo e estão com estoques muito acima da média, o que contribuiu para debilitar o mercado.Implementação "problemática"O Centro para Estudos de Energia Global (CGES, na sigla em inglês) acredita que a Opep não conseguirá reduzir sua produção diária de petróleo em 1,2 milhão de barris até pelo menos o final deste ano. O cartel tomou essa decisão na semana passada numa reunião em Doha, no Qatar, para tentar evitar uma maior redução nos preços da commodity. "A experiência sugere que a implementação do acordo de Doha pode ser mostrar problemática, particularmente pelo fato de que o ponto de partida para os cortes de cada país produtor continua não sendo claro", disse o centro de estudos sediado em Londres. Essa também parece ser a avaliação dos mercados. A maioria dos analistas e investidores vê com ceticismo a implementação da decisão da Opep. Prova disso é que os preços do petróleo atingiram nesta segunda seu nível mais baixo do ano, abaixo dos US$ 60 por barril.O CGES observou que a Opep não falou em redução de quotas ao anunciar os cortes na produção na semana passada. "As quotas eram um sistema útil para ser adotado quando a Opep estava tentando gerenciar o mercado durante um período de excessiva capacidade de produção, mas elas têm pouca relevância quando a maioria dos países membros está produzindo próxima de sua capacidade total", disse. Segundo o centro de estudos, será difícil para a Opep "traduzir o corte em ação". O cartel anunciou em Doha que o ponto de referência para a redução de 1,2 milhão de barris será sua produção agregada de "cerca de 27,5 milhões de barris diários", sem estabelecer dados individuais para cada país. "Para que o acordo de Doha adquira credibilidade real é necessário haver pontos de partida explícitos para cortes individuais de produção, particularmente quando alguns países não estão dispostos a admitir que estão produzindo abaixo de suas quotas", disse o CGES.Segundo fontes próximas à Opep, o ponto de partida dos cortes será seu nível de produção real. Mas o Irã e a Venezuela insistem que produzem muito mais do que os mercados acreditam, deixando dúvidas se realmente vão fazer qualquer corte efetivo. "Também é questionável se os preços estão suficientemente baixos para convencer os membros africanos da Opep a cortarem sua produção, enquanto a demanda por seu petróleo leve continua robusta", disse o CGES.Segundo o centro de estudos, a aparente determinação da Opep para defender um piso de US$ 55 para sua cesta de preços de petróleo pode frustrar aqueles que esperam um salto no consumo da commodity neste ano. "Os preços mais elevados começaram finalmente a se infiltrar nos níveis dos núcleos inflacionários nos países consumidores e as taxas de juros têm subido", disse. "A decisão da Opep, se implementada completamente, não oferecerá alívio através de preços de petróleo mais baratos."

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