Fayez Nureldine/AFP - 20/7/2019
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Covid-19

Bill Gates tem um plano para levar a cura do coronavírus ao mundo todo

Opep e China se comprometem a trabalhar juntas para ajudar a estabilizar mercado de petróleo

Comunicado conjunto é histórico, pois reúne os maiores produtores de petróleo do mundo e o maior consumidor global da commodity

Célia Froufe, correspondente, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2020 | 09h20

LONDRES - A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a China se comprometeram publicamente nesta quarta-feira, 20, a trabalhar juntas para ajudar a estabilizar o mercado mundial da commodity. Os preços do petróleo já estavam em queda no ano passado e passaram a sofrer ainda mais com a baixa violenta e repentina da demanda pelo insumo em meio à pandemia de coronavírus.

O comunicado divulgado pela Opep em conjunto com a China é histórico, já que reúne os países do cartel, que são os maiores produtores de petróleo do mundo, e o gigante asiático, que é o maior consumidor global da commodity. As duas partes já tinham participado de uma reunião virtual no dia 14, apontado como um momento de “discussões marcantes”, e voltara a se reunir nesta quarta.

O diretor da Administração Nacional de Energia da República Popular da China, Zhang Jianhua, disse ao secretário-geral da Opep, Mohammad Sanusi Barkindo, que seu país já está no caminho da recuperação, após ser abalado pela pandemia. “O país espera recuperar em breve seus antigos padrões de consumo de energia, o que deve ajudar a apoiar a indústria de petróleo", afirmou. 

Ele acrescentou que a China quer trabalhar em estreita colaboração com a Opep para estabilizar a indústria global de petróleo, garantir segurança energética futura para o mundo e facilitar a transição energética, citou o comunicado.

A reunião desta quarta, de acordo com a Opep, tratou do impacto do surto na economia global e no mercado de petróleo, e também dos reflexos no mercado interno da commodity na China. Foram discutidos processos de reequilíbrio da oferta e demanda pelo produto e as soluções do país asiático para e otimização do sistema de comércio de petróleo e gás. “A reunião também alcançou um consenso sobre a importância da segurança energética e a manutenção da estabilidade nos mercados de energia, fortalecendo a colaboração entre a Opep e a China, além de apoiar e promover a importância única do multilateralismo e da globalização”, diz o documento conjunto.

Barkindo e Zhang haviam se encontrado pela última vez em outubro do ano passado, durante a 3.ª Reunião de Alto Nível do Diálogo sobre Energia da Opep-China, em Viena.

“A pandemia ofereceu a oportunidade de fortalecer ainda mais esse relacionamento e provou que as forças da globalização são irreversíveis”, afirmou Barkindo na reunião desta quarta, segundo a Opep, acrescentando que as “ricas lições que estamos aprendendo da pandemia tornam bastante clara que o triunfo do multilateralismo e da cooperação internacional não pode ser contestado”. 

Ele se referiu às decisões das reuniões ministeriais extraordinárias da Opep e aliados (Opep+), realizadas no início de abril para ajustar a produção total de petróleo bruto em 9,7 milhões de barris por dia (bpd) em maio e junho; em 7,7 milhões de bpd de 1 de julho a 31 de dezembro; e de 5,8 milhões de bpd de 1 de janeiro de 2021 a 30 de abril de 2022.

Barkindo elogiou ainda a contenção da pandemia da covid-19 pela China, afirmando que a atuação do governo “salvou milhões de vidas e deu o exemplo ao resto do mundo”, que agora busca referências no país. Segundo ele, a colaboração não é apenas essencial para os interesses das duas partes, mas também para a economia global.

Zhang citou três elementos que ajudariam a economia global a voltar aos trilhos pós-covid-19: otimizar o sistema comercial para consolidar e expandir as transações de petróleo; melhorar a comunicação para manter o mercado de energia estável; e fortalecer a cooperação pragmática para estender a cadeia industrial, incluindo derivados de petróleo, armazenamento e transporte.

A reunião, de acordo com a Opep, foi a 11ª de uma série que o cartel vem realizando com as principais partes interessadas, centradas nos impactos relacionados à covid-19 na economia global e no mercado de petróleo.

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