Sergei Karpukhin|Reuters
Sergei Karpukhin|Reuters

Opep fecha acordo de corte na produção de petróleo e ações da Petrobrás sobem 10%

Cartel concordou em cortar cerca de 1% da produção mundial da commodity, a primeira redução desde 2008

Reuters e Dow Jones Newswires

30 Novembro 2016 | 14h15

VIENA - Após meses de negociação, representantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) chegaram a um acordo para cortar a produção da commodity nesta quarta-feira, 30, em um esforço para dar sustentação aos preços e reassegurar a influência do cartel em meio a um mercado cada vez mais dominado pelos Estados Unidos, a Rússia e outros países. Delegados do cartel concordaram em cortar a produção em 1,2 milhão de barris por dia (bdp), para 32,5 milhões de bpd, afirmou o ministro do petróleo do Irã, Bijan Zanganeh, o que representa 1,0% da produção global. Este é o primeiro corte na produção desde 2008.

Em reação à medida, o petróleo Brent para fevereiro avançou 9,55%, a US$ 51,84 por barril, na ICE. Já o petróleo WTI para janeiro na Nymex teve forte ganho de 9,30%, a US$ 49,44 por barril, a maior alta diária em nove meses. Na Bolsa brasileira, os papéis ON (com direito a voto) da Petrobrás, fecharam em alta de 10,60% As ações PN (preferência por dividendos) avançaram 9,14%.

A expectativa dos integrantes do grupo, com o anúncio, é manter os preços entre US$ 55 e US$ 60 por barril, níveis satisfatórios para ajudar as economias de países fortemente dependentes das receitas de exportação da commodity e que têm sido fortemente prejudicadas por dois anos de preços abaixo dos US$ 50.

"Este é um bom dia para o mercado de petróleo, para a indústria do petróleo. Após o acordo, os mercados estão se reequilibrando", afirmou o ministro de energia da Arábia Saudita, Khalid Al-Falih. "Nossos amigos da Rússia e outros países não membros da Opep concordaram em contribuir com cortes significativos a partir de janeiro do ano que vem", completou. Entre os que devem contribuir, está a Rússia, afirmou o representante da Nigéria.

Dentro das regras do acordo, o Irã recebeu permissão para elevar a produção para 3,9 milhões de BDP como forma de compensação pela perda de fatia de mercado após anos de sanções nucleares do Ocidente. Na reunião, Zanganeh afirmou que seu país estaria disposto a restringir a produção no início de 2017.

Os países que lideram os cortes de produção são a Arábia Saudita, com 486 mil bdp, o Iraque, com 210 mil bpd. Os Emirados Árabes contribuirão com um corte de 139 mil bpd, enquanto o Kuwait cortarão 131 mil bpd. Completam a lista Catar (30 mil bpd), Venezuela (95 mil bpd), Argélia (50 mil bpd), Equador (26 mil bpd), Angola (87 mil bpd) e Gabão (9 mil bpd). Líbia e Nigéria também ficaram isentos de contribuir para o acordo.

Os países também concordaram com a utilização de fontes independentes para determinar a produção de cada um. Kuwait, Venezuela e Argélia ficaram encarregados de monitorar a aderência dos membros do cartel ao acordo. Eles também marcaram um encontro para reavaliar a situação do acordo em seis meses.

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