Países aprovam corte de 9,7 milhões na produção de barris de petróleo por dia

Países aprovam corte de 9,7 milhões na produção de barris de petróleo por dia

Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) supera impasse com o México, após intensas negociações

André Marinho, Broadcast/Estadão

12 de abril de 2020 | 16h55

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+), Rússia e outros países produtores de petróleo concordaram neste domingo, 12, com um corte na produção em volume recorde, representando 10% da oferta global, para apoiar os preços do petróleo em meio à pandemia do coronavírus.

Após um final de semana de intensas negociações, a organização superou o impasse com o México e chegou a um acordo, que prevê corte na produção de petróleo de 9,7 milhões de barris por dia (bpd) em maio e junho. A informação foi confirmada pelo Ministério do Petróleo do Irã, pelo Twitter.

Segundo fontes informaram à Dow Jones Newswires, os mexicanos reduzirão a produção em 100 mil bpd. O país latino-americano se recusou a aceitar cortar 400 mil bpd, como queriam os outros integrantes do grupo, e o impasse estendeu as reuniões. Pelo acerto final, o restante do corte será compensando pelos Estados Unidos.

Ainda de acordo com as fontes, a Opep+ espera que Brasil, Canadá e EUA contribuam com diminuição de 3,7 milhões de bpd.

O pacto encerra a guerra de preços entre Rússia e Arábia Saudita, que derrubou as cotações da commodity, em meio à queda na demanda por conta do coronavírus. No maior corte na produção de petróleo de todos os tempos, os países continuarão diminuindo gradualmente os freios à produção por dois anos até abril de 2022. 

Medidas para conter a disseminação do coronavírus destruíram a demanda por combustível e reduziram os preços do petróleo, pressionando os orçamentos dos produtores de petróleo e prejudicando a indústria de xisto dos Estados Unidos, que é mais vulnerável a preços baixos devido aos seus custos mais altos.

O secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), Mohammed Barkindo, classificou o acordo de "histórico". Ele afirmou que os ajustes na produção serão os maiores da história, tanto em volume quanto em duração. "Estamos testemunhando o triunfo da cooperação internacional e do multilateralismo, que formam a essência dos valores da Opep", disse, acrescentando que o mercado virou uma "página histórica".

O secretário-geral da Organização também destacou que o pacto abriu caminho para uma "aliança global com participação do G20".

Negociação

O Kremlin informou, em nota, que o presidente russo, Vladimir Putin, conversou com o presidente americano, Donald Trump, e o rei da Arábia Saudita, Salman Ben Abdel Aziz Al Saud, por telefone, sobre o acordo firmado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+).

Segundo o comunicado, os líderes apoiaram o pacto, que prevê corte de 9,7 milhões de barris por dia na produção da commodity, com objetivo de "estabilizar os mercados mundiais e garantir a sustentabilidade da economia global".

Ainda de acordo com a nota, houve conversas particulares entre Putin e Trump, que discutiram questões de "segurança estratégica".

Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, saudou a Opep+ pelo acordo. Pelo Twitter, o republicano disse que o pacto salvará "centenas de empregos" no setor de energia americano. Trump também parabenizou Putin, e o rei saudita. "Acabei de conversar com eles do Salão Oval. Ótimo acordo para todos", escreveu. / COM REUTERS

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