Opep ignora ciclo de altas e mantém cota de petróleo

Decisão foi tomada em reunião extraordinária; AIE faz alerta para aperto entre a oferta e a demanda

Abu Dabi e João Caminoto, O Estadao de S.Paulo

06 de dezembro de 2007 | 00h00

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) decidiu ontem, em reunião extraordinária em Abu Dabi, manter sua cota de produção, em 27,25 milhões de barris diários. A Agência Internacional de Energia (AIE) evitou criticar a decisão da Opep de não elevar sua produção de petróleo, mas alertou que o balanço entre a oferta e demanda da commodity permanece apertado, representando risco de uma maior elevação dos preços. "Nossa preocupação é que existem incertezas que cercam a sustentabilidade de parte da oferta, e a demanda de inverno (no Hemisfério Norte) é uma variável como o clima", disse o diretor executivo da AIE, Nobuo Tanaka, em nota oficial. "O mercado está claramente desconfortável por ter perdido alguma cobertura de estoque nos últimos meses e com os preços próximos de US$ 90 por barril, está dizendo aos produtores que quer ver alguma flexibilidade restaurada." A AIE afirmou que a decisão da Opep reflete o sentimento da Declaração de Riad, assinada no mês passado, quando os líderes do cartel se comprometeram a buscar promover "mercados energéticos equilibrados e preços do petróleo competitivos e estáveis."A Opep também convocou outra uma reunião extraordinária para 1º de fevereiro para voltar a estudar o mercado antes da conferência regular prevista para 5 de março.A decisão teve o apoio da maioria dos 13 países membros e, especialmente, da Venezuela, cujo ministro da Energia, Rafael Ramírez, insistiu em não aumentar as provisões quando há incerteza econômica e enfraquecimento do dólar frente ao euro e outras divisas."A persistente volatilidade (dos preços) continua sendo um assunto de muita preocupação para a Opep", disseram os ministros na declaração final da reunião em Abu Dabi.Os ministros destacaram que, apesar dos "consideráveis esforços" do cartel para aumentar sua capacidade de produção a níveis que garantam um abastecimento adequado, os preços continuam perto de níveis recordes.No entanto, a organização atribui principalmente à especulação financeira a recente escalada da cotação do petróleo, que chega ao nível dos US$ 100 por barril.A Opep deu ainda boas-vindas ao Equador, depois de uma ausência de 15 anos, e a Angola, que aderiu ao grupo em janeiro. O cartel definiu cotas de produção para os dois países: 520 mil barris diários para Equador e 1,9 milhão para Angola.Apesar da decisão da Opep, a cotação do petróleo fechou ontem em baixa, com o mercado mais preocupado com a expectativa de recuo no crescimento da economia global, puxada pelos EUA. Em Nova York, os contratos para janeiro caíram 0,94%, para US$ 87,49 o barril; em Londres, a queda foi de 1,16% para US$ 88,49. O mercado está mais preocupado com a expectai.

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