Opep pode aumentar produção do petróleo

O presidente da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), Alí Rodriguez, afirmou que o grupo elevará sua produção em 500 mil barril antes da reunião de 12 de novembro, caso o preço da cesta dos sete tipos de petróleo cru permanecer acima de US$ 28,00 durante 20 dias consecutivos de negociação. De acordo com apuração da editora Cynthia Decloedt, Rodriguez disse ainda que a atual tensão no Oriente Médio, que levou os preços do produto para cima na última semana, não afetará qualquer decisão de utilização desse sistema.Pelo mecanismo, a produção deve ser elevada ou rebaixada em 500 mil barris diários caso os preços fiquem fora da banda de variação acertada pela Opep, de US$ 28,00 o barril no máximo e US$ 22,00 o barril no mínimo. Ontem, o preço da cesta permanecia pelo 12º dia consecutivo acima de US$ 28,00 o barril. Por que os mercados ficam instáveis com a alta do petróleo?De acordo com Hugo Penteado, economista-chefe do ABN Amro Asset Management, no primeiro semestre desse ano o crescimento dos países dependia muito mais do volume da demanda externa. Ou seja, do volume das exportações. "Como essa demanda chegou em seu limite, para o segundo semestre, a expectativa era de que a demanda interna contribuísse para a continuidade do crescimento dos Países", afirma.Com a alta do preço do petróleo, o crescimento da demanda interna desses países pode ficar comprometido e isso inibe a evolução da economia mundial. Um dos reflexos disso é o recuo da valorização das ações das empresas. "Os investidores começam a reduzir suas projeções de ganho no mercado acionário e o que se percebe é uma queda no preço dos papéis". Vale lembrar que a atual instabilidade do mercado acionário também é resultado dos baixos resultados trimestrais divulgados pelas empresas norte-americanas. De acordo com Júlio Ziegelmann, diretor de renda variável da BankBoston Asset Management, o recuo no preço dos papéis é proporcionalmente superior ao que, de fato, a empresa deixou de lucrar. "Os acionistas não avaliam apenas aquilo que deixaram de ganhar no trimestre, mas toda a projeção traçada de ganhos nos próximos anos", afirma o diretor.

Agencia Estado,

18 de outubro de 2000 | 17h02

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