Opep surpreende ao reconhecer Equador como membro

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) surpreendeu nesta quinta-feira, 15, em Viena, ao anunciar que o Equador não deixou de ser membro do grupo, em 1992, mas apenas teve "suspensa" sua participação, e que seus integrantes estão esperando que o país sul-americano retorne à organização."O Equador ainda é um membro da Opep. Sua participação simplesmente está suspensa. Certamente lhe daremos as boas-vindas", disse, em entrevista coletiva, o presidente temporário da organização, Mohamed al-Hamli.O setor foi pego de surpresa pela declaração, feita por Hamli, após a confirmação de que a reunião do Conselho de Ministros, a primeira a contar com a participação de Angola como membro com pleno direito, terminou com a decisão de não alterar o atual nível da oferta conjunta de petróleo.A próxima reunião do cartel deve ocorrer no mês de setembro, em Viena.A decisão consolida a redução das provisões em 1,7 milhão de barris diários (mbd), e a cota vigente em 25,8 mbd, sem causar surpresa aos mercados, pois a resolução havia sido antecipada pelos delegados.Não se espera também que a decisão do cartel influencie os preços, que ficaram estabilizados em torno de US$ 60 por barril.Desta forma, o Equador se tornou a única novidade da reunião desta quinta, pois as declarações do presidente indicam que, após a entrada de Angola, país anunciado no início deste ano como 12º membro do cartel, a Opep agora pode passar a ser formada por 13 integrantes.DesejoNa quarta-feira, em Quito, o presidente do Equador, Rafael Correa, frisou seu desejo de que o país voltasse à Opep. O ministro de Energia venezuelano, Rafael Ramírez, afirmou que Caracas faria tudo o que fosse possível para que os equatorianos conseguissem atingir este objetivo. "Já estamos conversando com Quito", disse Hamli nesta quinta.De acordo com fontes ligadas à Opep, no decorrer do diálogo, iniciado após Correa ter expressado sua vontade de retornar ao cartel, surgiu uma brecha jurídica pela qual o governo equatoriano não precisará solicitar novamente sua candidatura, no complexo procedimento habitual.Em 1992, a participação do Equador, que havia ingressado na Opep vinte anos antes, foi apenas suspensa. Na seqüência, nem a organização, nem o país latino-americano, deram os passos jurídicos necessários para tornar definitiva a saída de Quito, aparentemente por um simples esquecimento.Segundo uma fonte que pediu anonimato, o Equador poderia enviar uma delegação à próxima reunião de setembro, e recuperar seu lugar na organização.Apesar do bombeamento de 530 mil barris diários, a menor produção dentre os membros do grupo, a presença do Equador na Opep é considerada fundamental para fortalecer a presença do cartel na América Latina, representada hoje apenas pela Venezuela.O Equador é o terceiro maior fornecedor de petróleo latino-americano dos Estados Unidos, atrás do México e da Venezuela, e o sexto maior produtor de petróleo da América Latina.Várias petrolíferas multinacionais atuam no Equador, sendo a Repsol YPF a maior produtora privada (com uma cota de 11%), ao tempo que a estatal Petroecuador controla cerca de 46% da produção nacional, segundo dados do Departamento de Energia americano.DívidaJuridicamente, a única medida que o governo de Quito precisa tomar para reaver seu lugar no grupo é enviar uma carta à Opep, além de quitar a dívida pendente, de US$ 4,2 milhões, que o país acumulou com a organização, requisito que teve a importância minimizada por Ramírez. "O importante não é a dívida. O importante é a decisão política do Equador. Estamos esperando", disse o ministro venezuelano aos jornalistas, na quarta-feira, em Viena. "Para a Venezuela, é muito importante que o Equador retome sua idéia de voltar à Opep, pois a produção petrolífera no país está entregue ao capital internacional e às companhias privadas.""Agora, o Equador está retomando sua soberania sobre o controle do petróleo, e a intenção de voltar à Opep é uma mostra clara desta orientação", acrescentou Ramírez.Na quarta-feira, Correa reiterou que o governo revisará os contratos com as companhias petrolíferas multinacionais que atuam em seu país, para que o Estado receba os royalties a que tem direito.

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