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Operação com a Caixa é trivial, diz diretor da Petrobras

O diretor-financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, classificou hoje como trivial o fato de a estatal petrolífera ter tomado um empréstimo de R$ 2 bilhões junto à Caixa Econômica Federal (CEF), datado de 31 de outubro e divulgado pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), ontem à noite, como sendo um indício de que a companhia estaria em difícil situação financeira. "É normal da empresa operar no mercado. É o meu dia-a-dia. Sou pago para isso", disse.Segundo ele, ao longo deste ano foram feitas 21 operações de captação junto a outras instituições financeiras semelhantes à operação realizada com a Caixa. No total, estas operações somaram US$ 6,7 bilhões. "A empresa está saudável, está operando normalmente, está pagando suas dívidas e está contraindo novas dívidas. Tudo absolutamente normal", disse.Barbassa afirmou também que não vê nenhum problema em ter recorrido à Caixa especificamente neste caso. O senador Jereissati, em seu discurso no Senado, lembrou que a prioridade da Caixa é de atender ao setor habitacional e de saneamento. "Qual o problema de recorrer ao mercado nacional? Qual é o problema da Caixa? Não vejo nenhum. Se o senador vê problemas, ele deveria tomar as medidas cabíveis. Ao que me consta, a Caixa também é um banco brasileiro como outro qualquer. Quando preciso fazer uma operação, busco quem pode e quem o faz em melhores condições. Então elejo este banco. A Caixa não rompeu nenhuma lei ao conceder este empréstimo", disse o diretor, lembrando que a companhia já possui outros tipos de operações junto à Caixa, entre elas a parceria lançada em setembro deste ano para a capitalização de fornecedores da companhia.O diretor ainda destacou a possibilidade de a Petrobras ir a mercado de novo este ano. "Esperemos que venham outras operações este ano, dentro de um fluxo normal. Vamos a mercado pelo mesmo motivo que fomos nas 20 vezes anteriores em 2008 ou nas 30 que fomos em 2007: manter a empresa saudável e líquida. Este é o objetivo: manter a Petrobras adimplente e capaz de cumprir seus investimentos", comentou.Barbassa ainda rebateu críticas de que o caixa da companhia estava baixo ou mesmo de que a estatal deveria ter se mantido em um nível mais elevado de alavancagem para não se submeter às atuais condições desfavoráveis de acesso a crédito atualmente. "Não posso adivinhar o que vai acontecer amanhã. O que eu posso fazer é trabalhar com o meu caixa adequadamente suprido. O que eu não devo fazer é especulação. É tentar ganhar dinheiro, como muita gente tenta fazer e depois ''dá com os burros n''água''", avaliou.Ele também negou possíveis atrasos no pagamentos de fornecedores, como foi apontado pelo senador Jereissati. "Eu desafio a qualquer fornecedor que não tenha recebido seu pagamento a vir aqui receber. Não há absolutamente nenhum atraso com ninguém", disse.Caixa: empréstimo é operação comercialA Caixa informou hoje, por meio de sua assessoria de imprensa, que o empréstimo de R$ 2 bilhões para a Petrobras é uma operação comercial comum. Não houve privilégio e ocorre com diversas outras grandes empresas. Segundo a Caixa, na operação foram utilizados recursos próprios do banco, dentro da linha de capital de giro que é concedida para grandes empresas, e não com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).Por razões de sigilo bancário, a Caixa não pode informar as taxas do empréstimo. A Caixa informou que, ao longo de 2008, já emprestou R$ 80 bilhões para pessoas física e jurídica, além do financiamento habitacional. O empréstimo da Petrobras, segundo o banco, está dentro desse montante.

KELLY LIMA E ADRIANA FERNANDES, Agencia Estado

27 de novembro de 2008 | 18h52

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