Operação com títulos indicam que BC não reduzirá compulsório

O Banco Central retirou do mercado nas últimas seis semanas um volume médio de R$ 23,44 bilhões, por meio de operações de compra e venda de títulos públicos, segundo levantamento feito pelo Estado com base em dados do Departamento de Operações do Mercado Aberto (Demab) do BC. Esse dinheiro representa parte do volume de recursos que estão, teoricamente, sobrando nos bancos, ou seja, que não estão sendo aplicados pelas instituições em operações de financiamento. Para analistas, esse dado mostra porque o Banco Central reluta em reduzir o depósito compulsório dos bancos."Uma redução do compulsório neste momento não atingiria o objetivo de canalizar esses recursos para o crédito ao setor privado. Ele seria alocado em sua maior parte na compra de títulos do governo e, neste momento de volatilidade, também para especular no mercado de câmbio", disse o diretor da consultoria Austin Asis, Erivelto Rodrigues. Já para os que defendem a redução do compulsório, a medida ajudaria a irrigar o mercado de crédito e a baixar as taxas de juros.O volume médio das operações mostra que os financiamentos não têm sido oferecidos pelos bancos por uma questão de estratégia, e não por falta de recursos. Há um aspecto importante das chamadas operações compromissadas (operações e venda com compromisso de recompra dos títulos num prazo determinado) que explica porque os bancos preferem manter o dinheiro em caixa a emprestá-lo ao setor produtivo. A rentabilidade garantida pelo BC em todas as últimas seis operações foi de 100% da taxa básica de juros, a Selic. Além disso, com a garantia de recompra dos papéis, o risco de inadimplência é zero.Segundo analistas, também não faria muito sentido reduzir o compulsório justamente no meio de um processo de enxugamento tão forte de liquidez do mercado por parte do Banco Central. "Não acreditamos que essa redução venha agora pois o BC está enxugando liquidez. Reduzir o compulsório seria na prática trazer mais liquidez ao mercado", afirma o economista Fábio Akira, do JP Morgan, que estima uma redução somente quando a autoridade monetária estiver segura sobre qual o nível de liquidez mais confortável.

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