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Operação da PF prende 17 acusados de desviar US$ 50 mi

Ação é realizada em conjunto com autoridades norte-americanas; entre as prisões, 2 foram efetuadas em Miami

Solange Spigliatti e Rodrigo Pereira, estadao.com.br e O Estado de S. Paulo

25 de fevereiro de 2008 | 09h37

Pelo menos 17 pessoas foram presas nesta segunda-feira, 25, em uma operação da Polícia Federal contra crimes financeiros, em conjunto com autoridades norte-americanas, em São Paulo, Rio Grande do Sul e EUA. Entre as prisões, duas foram realizadas em Miami pelo FBI. O lucro da quadrilha pode chegar a US$ 50 milhões. Ao todo, serão cumpridos 27 mandados de prisão temporária, três mandados de prisão preventiva e 35 ordens de busca e apreensão.   De acordo com a PF, a operação, batizada de Pirita, tem como objetivo desmontar esquema utilizado por organização criminosa transnacional que fraudava investidores do mercado financeiro (pessoas físicas e jurídicas) de vários países, principalmente Inglaterra, Espanha, Austrália, EUA e alguns países da Ásia. Informações norte-americanas relatam que o grupo atuava há cinco anos, sendo três no Brasil.   A quadrilha forjava sites de falsas empresas de fusões e aquisições, agências reguladoras americanas e asiáticas e diversos contratos e documentos para ludibriar estrangeiros possuidores de ações com baixa liquidez.   A partir de um "boiler room" (escritório especializado nesse tipo de fraude) situado em São Paulo, e recentemente transferido para Buenos Aires, na Argentina, operadores de telemarketing de diversas nacionalidades que se passavam por intermediadores, ofereciam condições irrecusáveis para compra destas ações.   Para concretizar o negócio exigia-se o depósito antecipado de taxas de corretagem e impostos, com a promessa de restituição de todo esse dinheiro, quando então as vítimas alimentavam os cofres da organização criminosa. Esse dinheiro era transferido, pelos clientes, para contas abertas nos Estados Unidos. Tais contas eram abertas pelo núcleo da quadrilha responsável pela movimentação financeira desses ativos advindos do golpe.   Uma vez o dinheiro depositado nessas contas, eram realizadas uma série de transferências para diversas outras contas, de forma sucessiva, com o intuito de apagar o rastro da origem do mesmo. Por fim, o dinheiro chegava às contas dos integrantes da organização em vários lugares do mundo, inclusive no Brasil, por meio de ação de doleiros.   Os doleiros que auxiliavam a quadrilha a movimentar os valores e trazê-los ao Brasil foram mapeados e estão na lista das prisões temporárias, bem como os empresários e pessoas físicas que operacionalizavam a lavagem do dinheiro das vítimas. Segundo informações da Securities and Exchange Commission (SEC - Escritório de educação e assistência aos investidores nos Estados Unidos), esse tipo de fraude é líder em reclamações perante aquele órgão regulatório.   Os presos são acusados de formação de quadrilha, estelionato, evasão de divisas, operação de instituição financeira sem autorização, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Somadas, as penas para esses crimes chegam a 33 anos.

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