'Operação de guerra' pelo smartphone

Mesmo com novos lotes recebidos pelas operadoras, consumidor ainda enfrenta dificuldade e empreende 'odisseia' pelo sonho de consumo

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2011 | 00h00

Disposição para comprar um smartphone não falta ao brasileiro. Pesquisa divulgada esta semana pela consultoria Accenture mostra que aparelhos como iPhone e Samsung Galaxy são o sonho de consumo número dois no País em eletrônicos. Trinta por cento dos entrevistados pela consultoria no Brasil pretendem comprar um smartphone nos próximos 12 meses - a liderança do ranking ficou com as TVs de alta definição, com 40%.

Tanta demanda, porém, ainda não encontra resposta direta no lado da oferta. Para encontrar o produto, o consumidor precisa gastar a sola do sapato ou até mudar de operadora. A reportagem do Estado percorreu dois grandes shopping centers de São Paulo ontem e constatou que as operadoras receberam mais aparelhos. Mas ainda há falta de smartphones, especialmente em lojas terceirizadas. A Oi é a operadora com mais dificuldade de fornecimento. Ontem, a loja da empresa no Shopping Eldorado não tinha nem o iPhone 4 nem o Samsung Galaxy S disponíveis.

O cliente da Oi que busca um iPhone 4 pela empresa também passa aperto no serviço de televendas e no site Mercado Móvel, vinculado à companhia. Apesar de o site vender o aparelho de 32 GB acima do preço de mercado, a R$ 2.589 - a maioria das operadoras cobra R$ 2.099 pela variação mais cara do produto -, não há garantia de entrega. Depois de vender o aparelho a um consumidor na quarta-feira, a operadora informou ontem que poderia não entregar, pois o estoque do produto estava baixo - o pedido foi cancelado.

Percorrendo os shoppings, a reportagem encontrou um único iPhone 4 - de 16 GB - na loja da Oi no Shopping Villa-Lobos. Nas outras operadoras, os smartphones mais procurados são encontrados mais facilmente, depois de meses de estoque em baixa. Nas duas lojas da Claro e da Vivo visitadas ontem, havia iPhone 4 e Galaxy S disponíveis para pronta entrega. Na TIM, havia produto no Eldorado, mas os aparelhos estavam em falta no Villa-Lobos. Funcionários da operadora informaram que um novo lote do aparelho da Apple foi entregue na quarta-feira, acabando com um período de um mês de "seca" na empresa.

Interesse. A pesquisa da Accenture, que ouviu mais de 8 mil pessoas em oito países, mostra que o interesse em comprar smartphones é maior nas nações em desenvolvimento (Brasil, Índia, Rússia e China) do que nos mercados maduros (Japão, Estados Unidos, Alemanha e França). Para corrigir distorções entre as diferentes economias analisadas, o levantamento no Brasil se concentrou em áreas urbanas com perfil de alta renda.

Mesmo assim, a concentração de smartphones no País é quase 10 pontos porcentuais inferior à americana e equivalente à metade do patamar chinês, onde mais de 50% da população usam smartphones. Segundo a Nielsen, a venda de smartphones cresceu 279% no País em 2010. Entretanto, trata-se de um mercado pequeno, equivalente a cerca de 3% do total de celulares em uso no País - hoje, o número de linhas ativas é de 210 milhões, de acordo com a Anatel.

O presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude, pondera que a "febre" dos smartphones de alto valor agregado é um fenômeno restrito às classes A e B, que usam telefones pós-pagos. Dentro deste universo de consumidores, diz ele, é provável que a participação dos smartphones nas novas vendas de aparelhos já supere o patamar de 50%.

Oferta. O prognóstico das operadoras sobre o abastecimento de smartphones nos próximos meses é contraditório. O gerente de planejamento da Vivo, Pedro Azambuja, diz que o consumidor ainda pode encontrar problemas para comprar o iPhone 4 - a situação do Samsung Galaxy S, ressalta, está normalizada. Já Bernardo Winik, diretor de operações e consumo da Claro, afirma que a operadora tem estoque de ambos os aparelhos para atender à demanda do Dia das Mães. Para ambos os executivos, é clara a posição do Galaxy S como segunda opção ao aparelho da Apple. A falta pontual do produto foi reflexo do desabastecimento do iPhone nos primeiros meses do ano.

Procuradas, TIM e Oi não concederam entrevista. Em nota, a Oi diz que negocia com fornecedores para "minimizar" o desabastecimento. Apesar dos problemas com o estoque, a operadora destaca que iniciou a venda de aparelhos em até 15 parcelas. Ainda que funcionários afirmem que o iPhone 4 esteve em falta até quarta-feira passada, a TIM diz em comunicado que a disponibilidade do produto foi normal em abril. A fabricante Samsung informa que não há falta de Galaxy S no mercado, enquanto a Apple não se pronuncia sobre o desabastecimento do iPhone.

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