Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Operação Lava Jato compromete rotina na Petrobrás

Segundo fornecedores e prestadores de serviços da estatal, até o processo de compra de uma simples caneta ficou mais lento

Fernanda Nunes, Antônio Pitta, O Estado de S. Paulo

11 Dezembro 2014 | 22h08

A Operação Lava Jato, da Polícia Federal, atinge o dia a dia da Petrobrás e, de tabela, o de empresas parceiras na área de exploração e produção. Por conta das investigações de um suposto esquema de corrupção na petroleira pela Polícia Federal, os processos de compra de produtos e de contratação de serviços estão mais lentos do que o normal.

Técnico de uma grande petroleira que não quis se identificar afirmou que “até mesmo contrato de compra de canetas está mais lento” e que o andamento de projetos conjuntos podem ser afetados. Outro executivo de uma petroleira estrangeira demonstrou preocupação, especialmente, com o desdobramento da Lava Jato no cumprimento das regras de conteúdo local, que prevê que a maior parte das aquisições devem ser de fornecedores brasileiros.

“Se todas as grandes empreiteiras e fornecedoras do setor petróleo forem incriminadas pela Polícia Federal, quais as empresas contrataremos?”, perguntou o executivo, que, assim como todos os parceiros da Petrobrás procurados pelo Broadcast, serviço de informação em tempo real da Agência Estado, pediu para não ser identificado. Segundo ele, não será possível treinar novos fornecedores para atender às demandas sem afetar os cronogramas das obras.

Planalto. A preocupação com o cumprimento das regras de conteúdo local foi levada pelas petroleiras ao Planalto, mas o relato é de inflexibilidade. A posição do governo é classificada como “infantil”. “O governo acha que se não for do jeito dele é melhor que não tenha investimento. Por outro lado, o México oferece tudo o que o Brasil restringe. Minha grande dificuldade hoje, com a empresa matriz, é convencer que, diante de todas as denúncias e dificuldades, o País continua sendo atrativo”, disse.

No pré-sal, os investimentos em projetos em andamento estão resguardados, principalmente, por regras de parceria e convivência, intermediadas pela Pré-sal Petróleo S.A. (PPSA), que responde pelos interesses da União nos projetos. As condições das parcerias foram detalhadamente desenhadas antes mesmo do fechamento das sociedades, segundo um executivo de uma das petroleiras que atua em conjunto com a Petrobrás. Após as denúncias de corrupção, um regulamento de boas práticas ganhou ainda mais peso do que antes.

Ele relata que a elaboração desse manual que rege a convivência entre os sócios já estava prevista. No entanto, com a Lava Jato e, sobretudo, diante dos escândalos recorrentes, as sócias da estatal correram para aprovar o regulamento de boas práticas no desenvolvimento do pré-sal para não atrasar os projetos. A PPSA também tem sido rigorosa com a Petrobrás. Na verdade, essa é uma prática comum e esperada da empresa, já que cabe a ela extrair o maior lucro possível do pré-sal em benefício da União. 

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