Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Operação Lava Jato pode comprometer futuro do programa de concessões

Infraestrutura. Desdobramentos da investigação da Polícia Federal sobre corrupção na Petrobrás pode prejudicar a participação das principais empreiteiras do País nas concessões previstas para 2015, derrubando as perspectivas de arrecadação do governo

LU AIKO OTTA , ANDRÉ BORGES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2014 | 02h03

Os desdobramentos das prisões de executivos de grandes construtoras na operação Lava Jato ainda são incalculáveis, mas uma coisa já se sabe: grande aposta da presidente Dilma Rousseff para puxar o crescimento em seu segundo mandato, as novas concessões em infraestrutura estão em xeque. Isso porque os principais candidatos dos eventuais leilões são justamente as empresas que agora estão enredadas na investigação.

"Pode ter problema nas coisas novas", disse um executivo do setor de construção pesada. Isso significa um buraco potencial de pelo menos R$ 9,7 bilhões nas contas de 2015. A previsão era arrecadar, no ano que vem, R$ 7,1 bilhões em bônus de assinatura pela exploração de áreas do pré-sal e outros R$ 2,6 bilhões com concessões de aeroportos. O governo não anunciou quais seriam, mas estão cotados os de Recife, Salvador, Vitória e Porto Alegre.

Pode ficar prejudicado também todo o programa de concessão de ferrovias, que estava em preparação para começar em 2015. Esse, porém, já tinha perspectiva de atraso por causa de insegurança das construtoras quanto ao modelo proposto. A concessão de quatro novos lotes rodoviários também deve sofrer impacto.

Reação. O setor ainda não tem ideia de como será afetado pela operação, mas um executivo ouvido pelo Estado indicou a estratégia de reação das empresas: isolá-las dos personagens comprometidos com as irregularidades. "Afetou algumas pessoas, pelo que sei, mas não vejo por que afetaria a questão operacional." Esse foi o mesmo discurso adotado pelo ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos. Ao Broadcast, ele disse que as empresas não são iguais a seus executivos e minimizou o risco de prejuízos às obras. "Eu acho que as empresas têm características diferentes das pessoas físicas."

A expectativa das construtoras é que os contratos em andamento com o governo federal não sejam atingidos. Isso, porém, depende do andamento das investigações.

As nove construtoras que hoje estão na berlinda são as maiores do País, responsáveis por boa parte dos R$ 221,7 bilhões que o setor da construção civil faturou em 2013. Elas estão em todos os grandes projetos do governo e na maior obra em infraestrutura do País, a refinaria Abreu e Lima, orçada em R$ 37,4 bilhões e centro da operação Lava Jato. Seja como prestadoras de serviços ou sócias de consórcios, elas também atuam diretamente em projetos estruturais, como a construção da hidrelétrica Belo Monte, no Pará, uma obra de R$ 30 bilhões.

Também estão presentes em obras emblemáticas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como a transposição do São Francisco, o Rodoanel de São Paulo e a ferrovia Norte-Sul, além das usinas Jirau (RO) e Santo Antônio (RO).

Além de serem tocadas por grandes empreiteiras, todas essas obras têm em comum o fato de dependerem de financiamento do BNDES. Questionado sobre isso, o banco disse que "está acompanhando os acontecimentos relacionados à investigação da Polícia Federal e, se necessário, vai se pronunciar sobre o caso no momento oportuno". / COLABORARAM NIVALDO SOUZA, ANNE WARTH E RICARDO BRITO

Tudo o que sabemos sobre:
Operação Lava Jatoconcessões

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.