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Operação segura-barril

O cartel que reúne os principais exportadores de petróleo do mundo, a Opep, detentora de cerca de 30% da oferta global, reúne-se hoje em sua sede, em Viena, para examinar o que fazer diante do mergulho dos preços do petróleo no mercado internacional. Esta é considerada a reunião mais importante do grupo dos últimos dez anos.

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2014 | 02h05

A Venezuela está entre os desesperados. Precisa de que o barril de 159 litros seja negociado entre US$ 100 e US$ 120 para reequilibrar seu orçamento altamente dependente das receitas com petróleo. Anton Siluanov, ministro das finanças da Rússia, país não integrante da Opep, admitiu há semanas que está perdendo entre US$ 90 bilhões e US$ 100 bilhões por ano com essa queda dos preços.

Ontem, as cotações do tipo Brent, negociado em Londres, fecharam em US$ 77,75, menor nível em quatro anos. Uma boa ideia da força desse tombo pode ser deduzida do fato de que nem os conflitos geopolíticos na Ucrânia e no Oriente Médio, em tempos normais suficientes para puxar as cotações, foram capazes de conter o processo de baixa nos últimos meses. (Veja o gráfico ao lado.)

A proposta é de corte da produção (e, portanto, corte das disponibilidades de exportação) para reerguer os preços. O país-chave é a Arábia Saudita, hoje responsável por exportações de cerca de 10 milhões de barris diários. Até agora, a estratégia saudita foi manter o mesmo volume das exportações, ainda que a preços mais baixos, para cumprir dois objetivos: sustentar sua fatia de mercado e alijar ou desestimular novos concorrentes que operam a custos mais altos e só se mantêm à tona porque os preços ainda compensam.

É um equívoco pensar que a crise global tenha derrubado o consumo e, com isso, os preços. Embora a ritmo mais lento, o consumo vem crescendo entre 1% e 2% ao ano. O principal fator responsável pela baixa das cotações é o aumento da produção, principalmente nos Estados Unidos, que hoje passam pela revolução do xisto e estão muito próximos de se tornarem autossuficientes em petróleo e gás. Nos últimos seis anos, a produção norte-americana a partir de fontes não convencionais aumentou em cerca de 4 milhões de barris diários, o dobro da produção da Petrobrás.

Os altos preços do petróleo que prevaleceram nos últimos cinco anos foram o principal fator que empurrou para o mercado produtores novos, que operam a custos bem mais altos. As petroleiras que extraem óleo e gás de xisto trabalham com custos que variam entre US$ 55 e US$ 78 por barril. Quanto maior for a queda dos preços, mais produtores serão alijados da oferta.

O maior problema da Opep tem sido a dificuldade em cumprir acordos. Certos sócios concordam com tudo, assinam os documentos, mas acabam por trair o grupo ao empurrar seus produtos "por fora", deixando por conta da Arábia Saudita a maior parte da conta do ajuste.

É provável que algum corte seja decidido. A dúvida é se a Opep será capaz de cortar mais de 1 milhão de barris diários, nível percebido como o mínimo em condições de recuperar os preços. E, se a Opep for incapaz de uma atitude vigorosa, os preços continuarão a deslizar.

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