Operador da Societé Générale provoca prejuízos demolidores

Jerome Kerviel provocou prejuízos que deixaram um buraco de US$ 7,2 bi nas contas do banco

Nelson D. Schwartz, do The New York Times,

25 de janeiro de 2008 | 17h44

No saguão da bolsa de valores francesa, onde as mentes mais brilhantes da França arquitetam alguns dos mais complexos instrumentos de finanças globais, poucas pessoas tinham conhecimento de Jerome Kerviel.   Veja também:  Société Générale perde prestígio após fraude de US$7 bilhões  Operador provoca rombo recorde de ? 4,9 bi no 2º maior banco francês  Operações são consideradas simples na bolsa  Queda nas bolsas foi acentuada pela fraude  Barings quebrou após desvios  Tamanho da fraude no Société Générale chocou operador que quebrou banco inglês   Ele era um afortunado por chegar até ali. Muitos dos seus colegas vinham das prestigiadas Grandes Écoles - as Harvard e MITS da França, diplomados em matemática ou engenharia. Kerviel saíra de uma escola de comércio e começou sua vida profissional fazendo serviços burocráticos na área administrativa.   Mas na quinta-feira o mundo tomou conhecimento de Kerviel, 31 anos, que ficou famoso como o mais perigoso fraudador da história, um jovem jogador que se viu sugado numa espiral de prejuízos que deixou um buraco de US$ 7,2 bilhões nas contas da Societé Générale, um dos maiores e mais respeitados bancos da França.   De acordo com o banco, um funcionário de nível intermediário na administração, - identificado como Kerviel - durante um ano conseguiu burlar extratos de controles de computador e auditorias, acumulando perdas com operações não autorizadas. Kerviel, aparentemente, dissimulava as suas posições graças a uma montagem de operações fictícias para cada uma das ordens autênticas que colocava.   Embora os executivos da Societé Générale digam que Kerviel agiu sozinho, muitos questionam como isso foi possível, dada a dimensão dos prejuízos.   "Existem muitos grandes cérebros na Societé Générale; portanto, é difícil acreditar que os sistemas de gerenciamento de risco e todos os auditores não tenham assinalado alguma coisa, em algum nível" , disse Helyette Geman, professor de matemática financeira da ESSEC, conhecida escola de administração francesa, e professor da Universidade de Londres.   Reputação   São eventos surpreendentes em se tratando da Societé Générale que, a partir de meados da década de 80, tornou-se um poderoso banco global operando com derivativos como futuros e opções.   "Na França consideramos a Societé Générale um banco mágico", comentou Geman.   Ao contrário de muitas instituições bancárias de Wall Street, o banco francês até agora parecia navegar em meio à tormenta que atingiu os mercados financeiros com sua reputação intacta. A edição de janeiro da revista Risk, magazine mensal voltado para o gerenciamento de risco e derivativos, considerou o banco "a empresa do ano no campo dos negócios com derivativos".   Mas Kerviel, descrito pelos executivos do banco como um operador júnior retraído, e não se enquadrava no padrão dos operadores da Societé Générale. O banco recruta grandes talentos nas mais respeitadas escolas de ciências e engenharia do país, em Paris.   Kerviel cresceu na região da Bretanha, a oeste da França, e freqüentou a universidade de Lyon. Ingressou na Societé Générale em 2000, como escriturário, processando e registrando as operações realizadas em bolsa.   Em 2006 ele passou a operador na bolsa, especializando-se em arbitragens, fazendo as apostas com base nas pequenas diferenças entre as vários indexes das bolsas européias, como o CAC da França e o DAX da Alemanha.

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