Operador diz que Société Générale foi complacente

O operador de mercado Jérôme Kerviel, cujas operações não autorizadas que realizou na mesa do banco francês Société Générale causaram perdas de 4,9 bilhões de euros, disse aos investigadores franceses que o banco tinha uma visão "complacente" sobre suas práticas. Ele afirmou que sua motivação não era tirar dinheiro das operações, mas sim gerar lucro para o banco."Enquanto nós estivéssemos ganhando e não fosse muito visível, as coisas funcionavam, ninguém dizia nada", disse Kerviel para a polícia, em transcrições da fita citadas por jornais e agências internacionais, que foram confirmadas pela polícia. "Eu estou convencido que meus diretores fingiram que não viram os meios e os montantes em questão", acrescentou. "Eu não acredito que meus superiores não perceberam o montante que eu estava arriscando. É impossível gerar tamanho lucro com posições pequenas. Um operador não pode gerar tanto dinheiro em base diária com atividades padrão", acrescentou.Kerviel foi acusado de quebra de confiança e de atividades não autorizadas, mas até agora ele não enfrenta a acusação mais séria de fraude, que era o que o banco desejava. O operador foi libertado da cadeia sob fiança. O Société Générale anunciou na quinta-feira passada que a perda de 4,9 bilhões de euros (cerca de US$ 7,2 bilhões ou R$ 12,8 bilhões) foi causada por uma fraude."O que me motivou a fazer aquelas posições foi, acima de tudo, fazer o banco ganhar dinheiro. Essa foi minha principal motivação, e eu nunca tive a intenção de ficar rico". Kerviel era um operador de nível médio que teve um rendimento anual considerado modesto, de cerca de 50 mil euros (cerca de R$ 131 mil) em 2007. No entanto, ele contou à polícia que tentou "negociar um bônus de até 600 mil euros (R$ 1,6 milhão) no ano. Ele acrescentou que seu supervisor o levou a "entender que eu não poderia esperar por nada além de 300 mil euros (R$ 790 mil)". O advogado de Kerviel disse que seu cliente não recebeu nenhum bônus."As operações falsas passaram despercebidas porque não havia controle coerente em janeiro no Société Générale", afirmou. Segundo Kerviel, até 31 de janeiro seu "colchão" era de até 1,4 bilhão de euros, "ainda não informado para o banco". Convencido que o banco iria começar a pedir provas das contas fictícias, Kerviel disse que começou a falsificar e-mails. Ele afirmou que copiava e colava informações inventadas de clientes em documentos que pareciam oficiais. "As técnicas que eu usei não eram nada sofisticadas", declarou."O simples fato que eu não tirei férias em 2007 deveria ter alertado meus supervisores", disse Kerviel à polícia. "Essa é uma das primeiras regras dos controles internos. Um operador que não quer tirar férias é um operador que não quer deixar sua carteira para outra pessoa". Com informações de agências internacionais.

CAROLINA RUHMAN, Agencia Estado

30 de janeiro de 2008 | 09h20

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