Operador do Société é interrogado pelo 2o dia por fraude

Banco francês explicou detalhadamente a metodologia usada pelo funcionário Jerome Kerviel

REUTERS,

27 de janeiro de 2008 | 14h30

Um operador júnior detido pela maior fraude na história bancária está ajudando os investigadores, afirmou a polícia neste domingo, 27, quando o banco Société Générale revelou que ele havia feito apostas de 50 bilhões de euros (73,3 bilhões de dólares) com dinheiro da instituição em negociações ilícitas. O Société Générale explicou que descobriu a extensão total da fraude no fim de semana passado e detalhou a metodologia usada pelo operador entre 21 e 23 de janeiro, que deixou o banco com uma perda de 4,9 bilhões de euros. A polícia identificou o operador como Jerome Kerviel, de 31 anos, um funcionário anteriormente anônimo que não era considerado um astro por seus colegas, mas ganhou bastante conhecimento dos sistemas de controle de risco do Société durante seus 7 anos de carreira lá. Kerviel se entregou à polícia no sábado. A polícia ampliou a custódia de 24 horas para outras 24 horas no domingo para permitir mais tempo de interrogatório, e tem até a tarde de segunda-feira para decidir se o confia a um juiz de investigação antes de um possível indiciamento, ou se o liberam por falta de provas. "A detenção está indo bem. Ele está falando das coisas pelas quais foi acusado", disse Jean Michel Aldebert, chefe da seção financeira da promotoria de Paris. Muitos especialistas em mercado duvidaram da afirmação do Société de que um operador sozinho poderia ocultar posições que eram maiores do que o produto interno bruto do Marrocos. Em um comunicado de 7 páginas no domingo, o banco explicou que seu funcionário criou contas fictícias para fazer parecer que suas posições tinham sido cobertas, quando de fato permaneciam abertas. O banco também disse que ele falsificou documentos para justificar suas ações. As negociações só vieram à tona no dia 18 de janeiro e o Société disse que o operador admitiu "ter realizado atos não autorizados e, particularmente, ter criado operações fictícias". O banco afirmou que os acordos realizados conforme ele desmontava posições do trader respondiam por 5,9 a 8,1% dos volumes de negociações no índice de futuros da Eurostoxx, 5,7 a 7,8% dos futuros da alemã DAX e até 3,1% dos futuros da britânica FTSE. A família de Kerviel diz que ele está sendo feito de bode expiatório para o maior escândalo financeiro da história. Um advogado que atua em nome dos pequenos acionistas do Société, que entraram com uma ação judicial ligada aos prejuízos, disse ser impossível Kerviel ter agido sozinho ou sem deixar rastros de suas atividades, e acusou o banco de negligência. O Société deu queixa à polícia com três acusações: falsificação fraudulenta de registros bancários, uso fraudulento de tais registros e fraude por computador.

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