Stefanos Rapanis/Reuters - 23/9/2019
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Coluna

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Empresa de turismo Thomas Cook quebra e 150 mil pessoas terão de ser 'resgatadas'

Grupo britânico Thomas Cook foi fundado há 178 anos e buscava cerca de R$ 1 bilhão para continuar operando

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2019 | 02h28
Atualizado 25 de setembro de 2019 | 12h00

Viajantes ficaram sem ter como voltar para casa na segunda-feira, 23, depois que a agência de turismo mais antiga do mundo, a britânica Thomas Cook, decretou falência, o que desencadeou o maior esforço de repatriação da história do Reino Unido em tempos de paz.

A Autoridade de Aviação Civil (CAA, na sigla em inglês) do Reino Unido confirmou que a Thomas Cook encerrou as operações, o que implica paralisação das atividades de quatro companhias áreas e dispensa de um total de 21 mil funcionários em 16 países. 

A empresa, que foi fundada há 178 anos, tinha cerca de 600 agências de viagens no Reino Unido. Na sexta-feira, a companhia informou que buscava obter £ 200 milhões (R$ 1 bilhão) para seguir operando. As negociações com acionistas e credores, no entanto, fracassaram.

Reação

A falência da Thomas Cook foi um dos fatores que contribuíram para o mau humor no mercado europeu na segunda. O índice que reúne as principais Bolsas do continente fechou o dia em queda de 0,54%. Rival da Thomas Cook, a alemã TUI, por seu turno, viu seus papéis subirem mais de 7%.

Mais de 600 mil viagens foram canceladas, e há cerca de 150 mil turistas fora do Reino Unido que terão de ser resgatados pelo governo do país. A maioria dos consumidores britânicos da Thomas Cook é protegida por um seguro de viagem estatal, o que garante que retornem para casa sem custos adicionais.

A Thomas Cook enfrentava problemas com dívidas há alguns anos, que se agravaram com a demanda menor por viagens ao exterior. Em maio, os débitos da companhia somavam cerca de US$ 2,1 bilhões (mais de R$ 8 bilhões).

Castelo de cartas

A falência marca o fim de uma empresa britânica que foi fundada em 1841 com excursões locais de trem e foi pioneira nos pacotes de viagem de férias familiares na Europa, América, África e Oriente Médio.

O fim da Thomas Cook, anunciado nas primeiras horas da segunda-feira, provocou alarme em hotéis, com os proprietários pedindo que alguns clientes paguem suas contas novamente. Entres os mercados mais prejudicados estão Turquia e Grécia. “Não vou pagar minhas férias de novo”, disse o inglês David Midson à Reuters enquanto tentava obter informações na recepção de um hotel de Roda, em Corfu, na Grécia. “Queria ter trazido minha carteira de habilitação, porque não consigo um táxi (até o aeroporto).”

Além dos mais de 20 mil funcionários, o colapso da Thomas Cook atinge sites globais de agendamento de viagens, empresas de cartão de crédito, agências de turismo que usam suas linhas aéreas e ruas comerciais britânicas onde seus agentes foram obrigados a fechar as portas.

A empresa havia acertado um pacote de socorro de £  900 milhões com bancos e sua principal acionista, a chinesa Fosun, mas os credores pediram £ 200 milhões adicionais para mantê-la operando durante o inverno. A falta desse dinheiro acabou levando a companhia à falência. /AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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