Operadoras buscam mais receita no pré-pago

Com a receita por usuário caindo em um momento de grandes investimentos, empresas lançam serviços específicos para esse público

Daniele Carvalho, O Estadao de S.Paulo

16 de junho de 2009 | 00h00

Pressionadas pela queda contínua da receita média dos usuários, as operadoras de telefonia celular vêm aumentando esforços para incentivar, entre clientes com plano pré-pago, o consumo de serviços de maior valor adicionado. O desafio das operadoras se torna ainda mais evidente diante da necessidade de investimentos de peso para os próximos anos. Para este ano, as estimativas são de, pelo menos, R$ 10 bilhões.Os chamados Serviços de Valor Agregado (SVA) incluem torpedos SMS, internet 3G, download de música e jogos, entre outros. Para as operadoras, quanto maior o uso desses serviços, melhor, uma vez que a receita desses produtos é superior ao da obtida com o serviço de voz. "As operadoras demoraram a perceber que estavam ignorando ou tratando com pouca atenção o seu maior cliente, o pré-pago. Agora, estão mais atentas porque precisam aumentar receita", diz o analista de telecomunicações da consultoria IDC, Vinícius Caetano.Há alguns anos, o discurso das operadoras era de que o telefone pré-pago poderia ser a porta de entrada para o serviço pós-pago. Mas o mercado ditou um movimento totalmente contrário. Hoje, os clientes pós-pagos são poucos e muito disputados pelas empresas. Os balanços financeiros referentes ao primeiro trimestre deste ano mostram que a receita média por usuário (conhecida como ARPU) caiu até 12% no setor. Levantamento feito pela consultoria Teleco mostra que a receita média das quatro maiores empresas (Oi/BRT, Vivo, Claro e TIM) passou de R$ 27,50 no primeiro trimestre do ano passado, para R$ 25,10 neste ano, um recuo de 9,5%."A situação se torna preocupante porque o setor de telefonia é auto-intensivo em capital. Não dá para garantir esse ritmo apenas com o pós-pago usando os SVA", diz Eduardo Tude, presidente da Teleco. Segundo a Anatel, os pré-pagos representam 81,6% do total de telefones celulares no País. "Pela amplitude de sua participação, o pré-pago deixou de ser um serviço apenas para classes C e D", diz Luciana Leocádio, analista da Ativa Corretora.Primeira a lançar o serviço de banda larga 3G pré-paga, a TIM reconhece o desafio. "Temos investimentos pesados para os próximos anos e sabemos que temos de reverter a queda na receita. Nesse contexto, o cliente pré-pago é um dos nossos focos", diz o diretor de Serviços Adicionados da operadora, Alexandre Buono.A empresa se diz satisfeita com o retorno do produto. Entre março, mês de lançamento, e maio, 15% das novas adesões ao serviço foram feitas pela modalidade pré-paga. "É sinal que esses clientes têm interesse em consumir serviços que não sejam apenas de voz", diz Buono.A Vivo também colocou no mercado há algumas semanas outro serviço desenvolvido especialmente para a base pré-paga. Trata-se de um cartão para o envio de SMS. Por R$ 10, o cliente pode enviar 100 torpedos. "Os clientes de pré-pago já são grandes consumidores de serviços SVA, mas ainda há possibilidades de incluí-los ainda mais", diz Rafles Frausino, diretor do segmento de Pessoa Física da Vivo. NÚMEROSR$ 10 bilhões é a estimativa de investimentos das operadoras de telefonia para este anoR$ 25,10 é a receita média por usuário registrada no primeiro trimestre pelas maiores operadoras, uma queda de 9,5% na comparação com os R$ 27,50 registrados no mesmo período do ano passado

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