Operadoras disputam o 'filé mignon' da telefonia 3G

Licenças para operar em SP prometem ser as mais acirradas desta quarta; no 1º dia, ágio chegou a 273%

Michelly Teixeira, Gerusa Marques e Leonardo Goy, da Agência Estado,

19 de dezembro de 2007 | 07h50

O mercado continua acompanhando nesta quarta-feira, 19, o apetite voraz das operadoras de telefonia celular pelas licenças da terceira geração (3G). Hoje irão a leilão três licenças da Área 2, que engloba as regiões Sul e Centro-Oeste, Tocantins, Rondônia e Acre, além das quatro licenças da Área 3, que abrange a área metropolitana de São Paulo e também a Estados da região Norte. VEJA TAMBÉM Entenda a tecnologia 3G Link - Para quem vale a pena optar pelo 3G? Internet em celular deve ser 70% em 2012 3G da Claro começa a funcionar em SP Leilão de telefonia 3G supera expectativa e tem ágio de 273% Esta última é considerada o "filé mignon" do leilão, pois corresponde ao principal mercado de telefonia do País, além de Estados da região Norte, que foram incluídos no mesmo lote por serem menos atraentes. A idéia do governo é obrigar as operadoras a comprar esse pacote justamente para que essas regiões, de menor interesse econômico, também recebam investimentos. O leilão das cinco primeiras licenças, realizado ontem, superou todas as expectativas dos especialistas, chegando a ágios superiores a 200%. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) arrecadou R$ 2,4 bilhões. O apetite voraz dos competidores pelas freqüências fez com que a agência elevasse a sua previsão de ágio total para 100%. Com isso, deverão ser arrecadados R$ 6 bilhões para os cofres do governo federal com todas as 44 licenças. As empresas Vivo, TIM, Claro e Oi arremataram as quatro licenças da primeira área, que compreende os Estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia e Sergipe. Elas pagarão ao todo R$ 1,9 bilhão, o que representa um ágio de 160,45% sobre a soma do preço mínimo de cada lote, que era de R$ 736,5 milhões. A Nextel, apesar de não ter levado nenhuma licença na primeira área, serviu de fator-surpresa, acirrando a disputa até os lances finais. Segundo o presidente da consultoria especializada Teleco, Eduardo Tude, que acompanhou a licitação na própria Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), os ágios seriam "bem pequenos" se não fosse a ousada estratégia da Nextel, já que existia uma licença disponível para cada concorrente. "Havia quatro candidatos naturais, que eram Vivo, Oi, TIM e Claro. Com a entrada da Nextel, que disputou forte até o final, passaram a existir quatro lotes para cinco pretendentes", explica. As freqüências da 3G são tão concorridas porque representam uma nova oportunidade de negócios para as operadoras, com a oferta da banda larga. A tecnologia da terceira geração amplia a capacidade do celular, que passa a exercer novas funções, como um computador portátil que se conecta à internet em alta velocidade, exibindo vídeos e imagens de televisão. Ações O leilão 3G incentivou a alta das ações das teles ontem. Investidores aproveitaram o leilão para ajustar o preço de alguns papéis que julgavam subavaliados, entre eles a TIM. Na lista de maiores altas estiveram com as ações preferenciais (PN) da Vivo (+6,51%); os papéis ordinários (ON) da Telemar (+6,48%) e os ON da TIM (+5,78%).  A analista da corretora Brascan, Beatriz Batelli, diz que os altos preços pagos no leilão não justifica essa valorização dos papéis. "As empresas terão de desembolsar um valor muito maior do que o esperado". Por outro lado, o analista de um banco de investimento nota que o episódio mostra a disposição das companhias em buscar novos mercados e, desta forma, conseguir novas fontes de receita.

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