Operadoras se armam para competir de igual para igual

A Telefónica conseguiu finalmente chegar a um acordo com a Portugal Telecom para assumir o controle da Vivo. Depois de 3 anos de tentativas e por um preço 2,5 vezes maior que o da primeira oferta, feita em 2007, ela poderá fazer no Brasil o que já fez nos outros países em que atua: integrar suas operações fixas e móveis.

Análise: Eduardo Tude, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2010 | 00h00

A Telefônica (antiga Telesp) irá se fundir com a Vivo, formando uma operadora integrada capaz de oferecer telefonia fixa, celular, banda larga e TV por assinatura em um mesmo pacote de serviços.

Desfaz-se, desta forma, um dos nós que amarrava o mercado brasileiro de telecomunicações e a consequência mais imediata é a entrada da Portugal Telecom na Oi.

Em uma primeira análise pode-se dizer que o negócio foi bom para as três operadoras.

A Telefonica vai conseguir formar uma operadora integrada em condições de competir de igual para igual com a Oi e com o grupo do empresário mexicano Carlos Slim (Claro, Embratel e Net), que também está integrando suas operações no Brasil.

A Portugal Telecom, além de ter elevado ao máximo a oferta da Telefónica, vai conseguir substituir a sua participação na Vivo por outro ativo de igual importância evitando um encolhimento do porte do grupo.

A Oi vai receber um aporte de recursos que lhe permitirá fazer os investimentos necessários para continuar crescendo. A operadora reduziu investimentos nos últimos meses e vem perdendo participação de mercado.

Os efeitos deste rearranjo devem ser sentidos pelo consumidor a partir de 2011, quando os três maiores grupos de telecomunicações do Brasil (Oi, Telefonica/Vivo e Claro/Embratel/Net) deverão estar com suas operações fixas e móveis integradas.

A perspectiva é que aumente a oferta de serviços integrados, como já acontece nos Estados Unidos e na Europa. Essas operadoras devem, por exemplo, começar a oferecer banda larga fixa e móvel em um mesmo pacote de serviço. Esse processo deve se acelerar ainda mais se for aprovado no Congresso, ainda em 2010, o Projeto de Lei 29 (PL 29) que acaba com as restrições a participação do capital estrangeiro na TV a cabo.

A oferta de serviços integrados viabiliza também investimentos em redes de fibra óptica, que levem a banda larga de alta velocidade (10 a 100 megabits por segundo) até perto da casa do usuário ou até as torres de celular que oferecem banda larga móvel. A construção dessa rede exigirá pesados investimentos por parte das operadoras.

As movimentações societárias não devem, no entanto, parar por ai. A consolidação de operadoras fixas e móveis deve tornar a vida mais difícil para a TIM, que não tem uma presença significativa no mundo fixo, e para a GVT que não atua no mundo móvel.

PRESIDENTE DA CONSULTORIA TELECO

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