Operários de obra da Petrobrás entram em greve no Rio

Sem o apoio do sindicato da categoria, trabalhadores do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro pedem melhores condições e reajuste de 15%

Idiana Tomazelli, da Agência Estado,

05 de fevereiro de 2014 | 18h17

RIO - Operários que trabalham nas obras da Petrobrás no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí, na região leste do Estado, entraram em greve nesta quarta-feira, 5. As principais reivindicações dos trabalhadores são melhores condições de trabalho e reajuste salarial de 15%.

O protesto não tem o respaldo do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil e Pesada, Montagem e Manutenção (Sinticom) da região, que os representa. A entidade teria, inclusive, tido um carro incendiado pelos trabalhadores, que ocuparam a BR-116.

Segundo um operário, a situação não é nova. No ano passado, foram diversas paralisações reivindicando questões semelhantes, também sem o apoio do sindicato.

"Tem consórcio em que falta água, então chega no fim do dia e não tem o que beber, ou como tomar banho", disse, preferindo não se identificar por medo de represálias por parte dos empreiteiros ou até de demissão.

Ainda segundo o operário, a comida servida aos trabalhadores não tem qualidade e, por vezes, chega estragada. Quem se recusa a comer corre o risco de se tornar alvo de ameaças, acrescentou. Há também quem não receba seus salários desde o Natal. Entre as demais reivindicações, os funcionários pedem o pagamento de horas extras e aumento do vale-alimentação, para R$ 500.

O assessor do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ), Ronaldo Moreno, que acompanha a situação em Itaboraí, afirmou que a situação era crítica já na sexta-feira, 1º, mas a greve foi deflagrada só nesta quarta e deve persistir por tempo indeterminado. "A situação está sem controle. Há muitas ilegalidades sob os olhos da Petrobrás", disse.

Em nota, a estatal petrolífera afirmou que está atuando para garantir a segurança de toda a força de trabalho própria e das demais empresas que atuam no Comperj. A Petrobrás acrescentou ainda que acompanha as negociações entre os representantes dos trabalhadores e das empresas e espera um desfecho adequado para ambas as partes.

No início de 2013, os funcionários dos consórcios atuantes nas obras do Comperj também entraram em greve por reajuste salarial, retornando ao trabalho 11 dias depois. Depois, em agosto, nova greve foi motivada pela demissão de 430 trabalhadores da Multitek Engenharia, contratada pela Petrobrás para atuar em duas obras do Comperj. O objetivo era acelerar o pagamento das verbas rescisórias.

O Comperj foi projetado em 2006 e, inicialmente, previsto para entrar em funcionamento em 2011. Após sucessivos adiamentos, a projeção é de que a primeira refinaria do complexo comece a operar em 2016, com capacidade máxima de produção de 165 mil barris diários de derivados de petróleo.

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