Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Opinião: Antes de investir, analise os cenários

Não podemos deixar de olhar para os custos, diretos e indiretos do fundo, nem para as métricas de liquidez de aplicação e resgate

Dan Kawa, O Estado de S. Paulo

25 de janeiro de 2021 | 04h00

Gostaria de falar um pouco sobre o processo de investimentos e, em especial, alguns passos para escolhermos bons fundos e gestores na hora de alocarmos o nosso capital. 

Os fundos são liderados por gestores e equipes de analistas, que irão fazer esses investimentos para nós. Para escolhermos os melhores fundos e os melhores gestores, iniciamos uma diligência, quantitativa e qualitativa.

Do ponto de vista quantitativo, algumas variáveis são simples, de fácil entendimento e, atualmente, disponíveis a preços baixos ou de graça na internet. Precisamos fazer análises de desempenho, em várias janelas de tempo, fixas e móveis. Fundos com histórico curto, obviamente, limitam essa análise. Quanto maior o histórico, maior nossa capacidade de medir o gestor em diferentes cenários econômicos e de mercado.

Analisar o desempenho do fundo contra o seu benchmark, ou seja, aquele índice que o gestor se propõe a superar, é muito importante. Contudo, tão importante quanto, é medir o desempenho do gestor contra os seus pares, ou aqueles fundos de sua mesma categoria.

Existem algumas métricas de risco, como volatilidade, “sharpe”, “sortino”, “drawdown”, “beta”, “alpha” entre outras, que medem o desempenho do fundo em relação a sua volatilidade; suas quedas máximas em cenários negativos; seu desempenho relativo em relação ao mercado; e sua correlação com o mercado.

Não podemos deixar de olhar para os custos, diretos e indiretos do fundo, nem para as métricas de liquidez de aplicação e resgate.

A análise qualitativa precisa ser feita por pessoas diligentes e de forma consistente. Ela não está disponível de maneira fácil e acessível e, muitas vezes, existe a intenção de que muitas informações não cheguem ao investidor final.

É nesta fase que fazemos uma investigação profunda sobre os gestores. Quem são? Onde trabalharam no passado? Há quanto tempo a equipe trabalha junta? Qual é o “turnover” do time ? Existe alinhamento financeiro entre a equipe e a gestora? Há um processo de sociedade? Existe uma preocupação com a perpetuidade do fundo e da equipe de gestão? Há muita concentração de poder em apenas uma pessoa?

Ao longo do tempo, novos vetores de análise vão surgindo e se tornam importantes para este trabalho, como as métricas de ESG. Elas são respeitadas? Os processos para análise destes itens são robustos?

Essas são apenas algumas das dezenas de análises que precisamos fazer, de maneira recorrente, nos gestores e nos fundos que estamos estudando para fazerem parte de nossas carteiras de investimentos.

Uma análise robusta, profunda e diligente não irá evitar erros em nossas alocações, mas certamente minimiza, exponencialmente, o espaço para que nossos investimentos acabem dando errado.

*SÓCIO DA TAG INVESTIMENTOS E COLUNISTA DO E-INVESTIDOR

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