Laurent Gillieron/Keystone via AP
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Opinião de ministro não faz diferença na taxa de câmbio, diz Meirelles

Declaração acontece após o secretário do Tesouro dos Estados Unidos dizer que dólar fraco seria bom para os EUA, derrubando cotação a moeda americana

Célia Froufe, enviada especial, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2018 | 19h32

DAVOS - O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, declarou nesta quinta-feira, 25, que não faz muita diferença a opinião de um ministro sobre a cotação da taxa de câmbio e afirmou a jornalistas, em Davos, que não fica dando palpites sobre o tema. 

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"Isso é definido por fundamentos e por fluxos de capitais. Eu tenho experiência com isso, como sabemos, já há muitos anos", disse rindo. "Inclusive no BC, quando eu lidava com isso diretamente. Uma das coisas que eu sei é que opinião de ministro não fixa taxa de câmbio", continuou.

A declaração de Meirelles foi dada após ser perguntado se havia conversado com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, sobre o câmbio. Também no Fórum Econômico Mundial, o secretário americano disse nesta quarta-feira que um dólar mais fraco beneficia a balança comercial do país no curto prazo, mas que ele acreditava na força da moeda no longo prazo. 

Como consequência, o dólar fechou em queda de forma generalizada na quarta, ficando no menor nível em três anos, na comparação com uma cesta de moedas rivais.

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Nada a ver. Segundo Meirelles, os dois não conversaram sobre o tema. O ministro da Fazenda do Brasil disse que interpretou a declaração como sem grandes novidades. "Um câmbio desvalorizado é bom para as exportações americanas. Para as brasileiras, também; para as chinesas, também; para todo mundo."

Meirelles salientou, porém, que, em nenhum momento, o secretário americano mencionou qualquer ação no sentido de intervir no câmbio. "Isso seria impensável nos EUA. Ele fez declaração de uma constatação. Foi assim que entendemos." 

Para Meirelles, desde que esteja funcionando livremente, cada cotação de câmbio é um dado de realidade que tem que ser absorvida. "Vemos o real subindo ou descendo segundo movimentação seja de votação de reformas , de eleição... evidentemente que uma moeda mais desvalorizada favorece a exportação brasileira."

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Currículo. Henrique Meirelles foi presidente do Banco Central de 2003 a 2010, durante o mandato do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, o ministro da Fazenda era Guido Mantega, conhecido por fazer projeções para diferentes áreas da economia. "Temos que trabalhar para que o câmbio seja correto e esteja funcionando livremente, e que não haja intervenção artificial", defendeu Meirelles.

 

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