Oportunidade para quem ‘garimpa’ ofertas

Especialista acredita que, diante da redução na venda de imóveis, corretores podem abater o preço para conseguir fechar negócios

Heraldo Vaz, ESPECIAL PARA O ESTADO ,

29 de maio de 2014 | 11h41

SÃO PAULO - A economia do País anda de lado, as vendas de imóveis caem e surgem oportunidades para quem "garimpar" o que está sendo oferecido. A análise é do professor da Fundação Getúlio Vargas e colunista do Estado Fabio Gallo, que também é especialista em finanças pessoais.

O primeiro passo da decisão de comprar, principalmente com financiamento, tem de ser com base no orçamento familiar. "Não se pode decidir de acordo com a situação do mercado. Ah! Estão vendendo pouco, então é hora de eu ir às compras. Se não tem condição não adianta nada. Vai entrar no cheque especial e, sem conseguir pagar, vão retomar seu imóvel."

Gallo orienta: "Resolva seu planejamento. Se já atingiu este estágio aproveite este momento para garimpar uma boa oferta".

Chance. Segundo o professor, existem negócios de ocasião. "Com uma queda substancial nas vendas como agora, existe corretor querendo vender de qualquer jeito para cumprir metas e ganhar comissão", diz. "Se tiver chance, ele vai brigar por você para reduzir o preço. A situação pode gerar boa oportunidade para quem quer comprar."

Gallo diz que o setor vai vender menos em relação a 2013, mas prevê manutenção do preço real dos imóveis. "Pontualmente, algumas localidades vão sofrer mais pressão", afirma. Sobre a tendência em São Paulo, ele acredita que o valor real será mantido até o final do ano. "O preço nominal cresce pouco e vai acompanhar a inflação."

Gallo garante que os preços não estão caindo em termos reais. "O que tem acontecido é que a curva do aumento de preço nominal tem desacelerado. Desde 2012, algumas regiões de São Paulo apresentam decréscimo no valor nominal." Para ele, a base de comparação com 2013 é desigual. "O ano passado foi o exponencialmente positivo. Não tem como comparar."

Ele admite, no entanto, que a queda é consistente, porque "45% em volume e 50% em valor todo mundo está sentindo". Mas avisa: "Isso não quer dizer que as empresas vão entregar de graça o estoque que têm."

Dívida alta. Gallo comenta que dirigentes do setor apontam, como motivo da queda, o fato de o comprador estar pessimista, "preferindo aguardar, porque a inflação está alta". Mas não é só por isso, segundo ele. "É preciso entender que o nível de endividamento das famílias cresceu muito ultimamente".

Gallo vê "sinais positivos e negativos" que influenciam o mercado. Concorda que a grande oferta de crédito imobiliário é o motor das vendas, "apesar de não estar tão fácil pegar financiamento agora, porque as taxas de juros subiram". Segundo ele, "é mais um motivo por que o volume de vendas caiu".

As incertezas no campo econômico ajudam a adiar uma decisão de compra, diz Gallo."Não acredito e não vejo bolha imobiliária", afirma, admitindo que notícias desse tipo podem ampliar a insegurança. De acordo com sua avaliação, existe base para subir o preço do imóvel. Ele cita o aumento da renda, a nova classe C, o grande déficit habitacional do País e o interesse dos bancos em explorar linhas de crédito imobiliário, que têm baixa inadimplência.

"Um problema é o gap entre a valorização dos imóveis e o aumento da renda per capita", afirma o professor. "No Brasil é horrível, e houve crescimento dessa distância."

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