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Oportunidades são perdidas no País dos monoglotas

Falta do inglês impede entrada de profissionais em empresas de primeira linha; pesquisa mostra só 3% com fluência no idioma

Fernando Scheller, de O Estado de S. Paulo,

20 de novembro de 2013 | 09h01

Somos um País de monoglotas. Uma pesquisa da Catho Online, de 2011, é um dos poucos retratos dessa realidade: segundo a consultoria, só 3,4% dos profissionais brasileiros têm total fluência da língua mundial de negócios, o inglês.

 

Essa realidade não se reflete só na dificuldade do governo em encontrar candidatos para bolsas em universidades prestigiadas como Harvard. É também um problema sério das empresas que buscam solucionar suas carências de profissionais, incluindo para cargos de liderança. Segundo a Catho, só 11,2% dos executivos que disputam oportunidades de direção são fluentes em inglês.

 

 

Tanto é assim que, hoje em dia, ninguém mais confia nas informações sobre domínio de idiomas que constam dos currículos dos candidatos. Para qualquer cargo que exija interação com sedes internacionais, as empresas estão se prevenindo e realizando testes ou entrevistas em inglês. Segundo Carlos Eduardo Altona, sócio da consultoria Exec, o inglês virou um ponto de corte claro nos processos seletivos. "É algo que o profissional tem de resolver sozinho. Por mais que a empresa pague um curso após a contratação, muito dificilmente a pessoa conseguirá resolver o problema com a língua em uma questão de meses.

 

Eliminação. Para o especialista, o idioma deve ser a prioridade "número 1" na hora de disputar cargos mais altos no mercado de trabalho. "Entre afiar o inglês ou buscar uma pós-graduação, eu diria que, sem dúvida nenhuma, o idioma deve ser a prioridade do candidato a executivo", diz o especialista. Altona explica que se trata de uma escolha prática: "O inglês é eliminatório nos processos seletivos, enquanto a pós-graduação conta pontos a favor, mas geralmente não é uma exigência. Falar inglês é essencial porque o executivo precisa estar preparado para pegar o telefone e resolver um problema na matriz, quando necessário".

 

Hoje, algumas empresas tentam se certificar de que todos os novos talentos tenham conhecimentos razoáveis do idioma. A América Latina Logística (ALL) já incluiu um teste de inglês de exigência intermediária no processo de seleção de seu programa de trainee. E a experiência mostra que, mesmo com certa flexibilidade, os resultados são desanimadores. Apesar de ter um ponto de corte relativamente maleável - a exigência é de 60% de respostas certas -, a ALL elimina 55% dos 40 mil candidatos de seu programa de jovens profissionais somente por esse critério.

 

Uma das recomendações de headhunters para os profissionais que se sentem prontos para subir na hierarquia de grandes empresas e ainda não dominam o inglês totalmente é fazer uma "imersão" no idioma. Segundo Altona, uma exposição de 30 ou 40 dias na língua pode ter o mesmo efeito de anos de aulas particulares. O investimento, diz o especialista, pode abrir portas no mercado de trabalho e também evitar que, uma vez contratado, o executivo perca oportunidades de crescimento por não dominar o inglês.

 

Correndo atrás. Uma temporada no exterior ajudou o executivo Luciano Wajchenberg, de 37 anos. Hoje gerente de negócios do Itaú Unibanco para a América Latina, Wajchenberg teve uma de suas primeiras oportunidades de ascensão no mundo corporativo há 11 anos, semanas depois de passar três meses estudando inglês fora do País. "Havia acabado de voltar de uma temporada fora. Coincidentemente, pouco depois surgiu uma oportunidade na AES em que o inglês era essencial", lembra.

 

Como o cargo exigia contato direto com a matriz da AES nos Estados Unidos, Wajchenberg lembra que a empresa, na época, estava preocupada. "Como o contato era diário, eles queriam fluência, e não só o certificado", diz. O executivo lembra que, entre as cerca de cem pessoas que trabalhavam na área administrativa da AES, ele era provavelmente o único que tinha real fluência no idioma.

 

Mais recentemente, já trabalhando no Itaú, Wajchenberg concorreu a uma promoção que lhe exigiu correr atrás de outro idioma: o espanhol. Ele conseguiu o cargo atual, que exige contato com os parceiros do banco em toda a América Latina.

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