Oposição acusa Morales de adulterar contrato com petrolífera

O partido de oposição ao governo da Bolívia acusou o presidente Evo Morales de adulterar os contratos com as companhias petrolíferas aprovados pelo Congresso em novembro passado e anunciou que vai encaminhar a denúncia à Procuradoria Geral. A bancada de senadores do Poder Democrático e Social (Podemos) garante que existem diferenças entre os contratos divulgados pela empresa estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) e os documentos aprovados no Congresso.Os senadores Oscar Ortiz, Roberto Ruiz e Luis Vásquez Villamor acusam funcionários do governo de falsidade ideológica e material. "A bancada de senadores do Podemos quer compartilhar com a opinião pública uma grande preocupação, surgida da constatação documental de que os contratos petrolíferos estão adulterados", disse Ortiz, segundo o site de informações HoyBolívia.Em entrevista à agência EFE,Ortiz explicou que uma das diferenças foi detectada no anexo "D" do contrato para a exploração do campo Sábalo (também conhecido como San Antonio), operado pela Petrobras e do qual são sócios a hispano-argentina Repsol YPF e a franco-belga TotalFinaElf.Ele explica ainda que o anexo "estabelece os mecanismos pelos quais o Estado determina o que vai ser lucro compartilhado ao final da avaliação do processo de produção sem procedimento contábil, mas nesse processo o procedimento financeiro contábil é fundamental para maximizar os ganhos em favor do Estado".O senador diz que, na versão original do contrato sobre o caso, Sábalo só permite deduzir custos de operação vinculados à atividade petrolífera propriamente dita, enquanto que, na aprovada no Congresso, esse conceito se amplia a qualquer outro custo derivado, como uma campanha publicitária. Segundo Ortiz, a oposição, maioria no Senado, suspeita de que todos os contratos contêm "mudanças" no anexo D, acertadas após a assinatura dos mesmos.

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