Oposição critica postura de Lula na crise do gás

O novo surto acusatório do presidente boliviano Evo Morales levou a oposição a endurecer o discurso contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cobrando-o por não ter assumido uma postura de estadista na crise em defesa dos interesses do País. Os principais líderes do PSDB e do PFL se revezaram nesta quinta-feira na tribuna do Senado para reforçar as críticas e cobrar uma explicação de Lula sobre os prejuízos das medidas de nacionalização do gás natural adotadas pelo governo boliviano."Vamos ter conseqüências catastróficas para a economia do Brasil, além das ofensas feitas pelo presidente boliviano. O Brasil nunca passou por humilhações como esta", afirmou o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE). Numa ação conjunta com o PFL, o PSDB vai pedir o comparecimento do assessor de assuntos internacionais do Planalto, Marco Aurélio Garcia, na Comissão de Relações Exteriores, com o objetivo de explorar as contradições da política externa e do confronto de posições entre o assessor e o chanceler Celso Amorim na crise com a Bolívia. Para o senador Tasso Jereissati, o presidente Lula está agindo de "de maneira amadora e até irresponsável, mostrando que não está à altura do Brasil". "Ele não tem condições e estatura para defender os interesses nacionais", destacou, em discurso. " O que não podemos é nos rebaixar e ficar a reboque de pequenos líderes populistas e demagogos. O Brasil está há muito tempo a reboque de líderes populistas que estão conduzindo a política na América do Sul de forma completamente irresponsável e com bravatas".O líder da minoria, senador Álvaro Dias (PSDB-PR), manteve o tom e ainda fez um apelo a Lula para que assuma pessoalmente as negociações com o governo boliviano e deixe de enviar apenas emissários ao País vizinho. "O Brasil não pode ficar omisso diante da gravidade dos fatos", afirmou.Enquanto a oposição apontava dubiedade do governo no episódio e criticava Morales, o único governista a se pronunciar, o senador Siba Machado (PT-AC) considerou a crise como parte de "disputas normais". Ele ressaltou que as negociações estão a cargo do presidente da Petrobrás, Sergio Gabrielli, e do ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau. Ambos, inclusive, vão prestar depoimento na próxima terça-feira na Comissão de Relações Exteriores do Senado.Os atritos entre Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia foram explorados pelo senador Heráclito Fortes (PFL-PI). "Lamento que um assessor de terceiro escalão ousa desautorizar o ministro das Relações Exteriores", disse, repetindo palavras do assessor de que a Petrobrás já ganhara dinheiro demais na Bolívia. " Qual o interesse de Garcia em se confrontar com o ministro? Que interesses movem esta crise?", perguntou o pefelista. "Isso é no mínimo intrigante". "Marco Aurélio atrapalha o Itamaraty", completou o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), que reforçou as críticas ao Planalto.Além de enfatizar as contradições do governo e cobrar de Lula, a oposição criticou Evo Morales. "Ele está pondo o Brasil num vexame internacional", observou o líder do PFL, senador José Agripino (RN). Já a senadora Heloísa Helena (PSOL-AC), alegou que o presidente boliviano estaria cumprindo uma promessa de campanha. No entanto, ressaltou que Lula, por sua vez, não fez um pronunciamento à Nação sobre a crise. "Ele tem o dever de dizer ao povo o que vai acontecer com os bens e investimentos da Petrobrás na Bolívia e como isso vai refletir na indústria e nos custos dos produtos", disse.Aliado do presidente Lula, o senador José Sarney (PMDB-AP), disse que Morales assumiu uma posição eleitoreira e circunstancial e, por isso mesmo, acredita que essa crise vai acabar com a eleição para a Constituinte boliviana. "Mas o Brasil não pode ser o vilão. Nosso tratamento sempre foi de estreita colaboração e um desejo de ajudar a Bolívia", contemporizou, lembrando que a Petrobrás é responsável por 15% do PIB boliviano. Desse modo, o País vizinho teria interesse em manter o clima de colaboração.O coordenador da campanha presidencial do PSDB, senador Sergio Guerra (PSDB-PE), foi contundente ao afirmar que o Brasil estaria sendo desmoralizado "por um governo que não sabe governar. "O presidente Lula não assume o seu papel, não fala pelo País. É uma trapalhada e esse governo não tem compromisso responsável com o País", destacou, dizendo que Lula argumenta de "maneira falsa e leviana" para o País.

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