Oposição diz que números da Petrobrás comprovam 'má gestão e corrupção'

Para Aécio Neves, o governo não 'tem nadapara comemorar' e asperdas com corrupçãopodem ser ainda maiores

RICARDO BRITO, O Estado de S.Paulo

23 Abril 2015 | 02h03

BRASÍLIA - O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), divulgou nota em que diz que os dados do balanço da Petrobrás mostram "mais um capítulo de um filme de má gestão e corrupção" e que, ao contrário do que defendem governistas, "não há nada para comemorar". O tucano afirmou que, em pouco mais de uma década, o governo do PT conseguiu "manchar anos de eficiência da estatal", que há poucos anos era a maior da América Latina e uma das empresas mais eficientes do mundo no seu setor.

"Não há nada para comemorar em relação aos dados publicados hoje (ontem). A empresa registrou um prejuízo de R$ 21,58 bilhões, em 2014, ante um lucro de R$ 23,4 bilhões, em 2013, e teve um crescimento de sua dívida de mais de 30%, terminando o ano de 2014 com um endividamento total de R$ 351 bilhões. Essa dívida elevada é incompatível com o plano de investimento da companhia, o que significa que, para cumprir parte do seu plano de investimento, a empresa terá que vender ativos", afirmou.

Para o tucano, as perdas de R$ 6,194 bilhões relacionadas à corrupção, citadas no balanço, podem ser ainda maiores. Ele ressaltou que a apuração dos escândalos de corrupção envolvendo a estatal e seus fornecedores ainda está em andamento pela Polícia Federal, Ministério Público e Justiça Federal.

Para Aécio, a reavaliação de ativos (o impairment), que totalizou R$ 44 bilhões, é um valor elevado e evidencia o que considera como "indiscutível falta de planejamento decorrente da má gestão e uso político da Petrobrás pelo governo do PT".

O líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), disse que os dados do balanço reforçam a posição da oposição de eventualmente pedir o impeachment da presidente Dilma. Para ele, os dados são a "comprovação da fraude" na Petrobrás e que Dilma, pelos cargos que ocupou, foi responsável e beneficiária das irregularidades.

"Eu não conheço nenhum governo que tenha um balanço em que uma auditoria comprovou R$ 6,5 bilhões em corrupção e pagamento de propina. Para quem foi presidente, ministra de Minas e Energia, ministra da Casa Civil, presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, isso mais do que nunca fala que essa utilização da Petrobrás (…) foi diretamente pelo (João) Vaccari (ex-tesoureiro do PT) para o caixa de campanha", disse Caiado.

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