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Oposição quer detalhes sobre operação fiscal

BC e Ministério da Fazenda serão ouvidos para explicar recurso depositado em banco privado  

João Villaverde e Adriana Fernandes , O Estado de S. Paulo

11 de julho de 2014 | 21h27

 A oposição ao governo, liderada por parlamentares ligados aos candidatos à presidência, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), vai iniciar uma ofensiva na semana que vem no Ministério da Fazenda e no Banco Central para obter explicações sobre o “caso dos R$ 4 bilhões”, revelado pelo Estado. 

“Pedi a técnicos próximos para que se debruçassem sobre essa história”, disse o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), candidato a vice na chapa presidencial tucana. 

O Estado revelou que o Banco Central descobriu um volume de R$ 4 bilhões em uma conta de um grande banco privado, em maio. Esse dinheiro, segundo o BC, representava um crédito em favor da União e foi incorporado às contas nas vésperas do anúncio do Tesouro Nacional sobre o resultado fiscal. Com isso, o déficit primário de maio foi de R$ 11 bilhões, e não de R$ 15 bilhões, que seria inicialmente divulgado. 

A fiscalização do BC entrou em contato com o banco privado tão logo verificou a discrepância de R$ 4 bilhões nos dados. “A situação foi verificada e, depois, normalizada junto ao banco”, informou o BC por meio de um porta-voz, em entrevista ao Estado. Após a reunião com o banco, o BC se reuniu com técnicos do Tesouro para discutir o caso, nas vésperas do anúncio dos dados de maio, que ocorreu em 27 de junho. 

A reportagem procurou o Tesouro durante a semana passada, pedindo esclarecimentos sobre o caso, mas não houve resposta. O Ministério da Fazenda trata a questão como assunto do BC e evita comentários. 

Requerimentos. Aloysio Nunes e o líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Antônio Imbassahy (BA), afirmaram  que vão apresentar requerimentos de explicações ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, e ao presidente do BC, Alexandre Tombini, na segunda-feira. “O governo é obrigado a esclarecer para a população de onde vieram esses R$ 4 bilhões encontrados em uma conta separada de um banco privado em um mês”, afirmou Imbassahy. 

Segundo o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), o governo precisa se pronunciar perante o Congresso Nacional sobre o surgimento do dinheiro. 

“Não bastasse a contabilidade criativa que é praxe do secretário do Tesouro, Arno Augustin, agora vemos participação do Banco Central no sentido de dar um toque de mágica aos resultados fiscais?”, questionou o parlamentar, que também apoia Aécio Neves. Maia afirmou que o convite a Tombini feito pela Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara deve ser antecipado “o mais rápido possível”. 

Outros pedidos. Pedidos formais de explicação ao Ministério da Fazenda e ao Banco Central também serão protocolados por parlamentares ligados a Eduardo Campos e Marina Silva. Virão do PPS, que apoia nacionalmente à campanha de Campos, os principais movimentos na semana que vem. 

O líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno, afirmou que apresentará até terça-feira dois requerimentos aos ministros do governo federal. 

Em um, Bueno vai cobrar explicações sobre a “mudança no registro contábil” realizada pelo banco privado, seguindo o termo usado pelo BC. O segundo requerimento vai focar o trabalho do BC - segundo o líder do PPS, o governo precisa explicar como fiscaliza as contas nas instituições financeiras, para entender como os R$ 4 bilhões escaparam ao sistema em maio.

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