Oposição quer mudar economia e questiona permanência de Palocci

O líder do PFL no Senado, Agripino Maia (RN), disse hoje que o resultado negativo do Produto Interno Bruto (PIB) do País no terceiro trimestre do ano (-1,2% ante o 2º trimestre) "é a pior notícia que a equipe econômica poderia ter, em todos estes anos". Agripino defendeu uma correções de rumo na política econômica e disse que agora cabe ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidir sobre a permanência do ministro da Fazenda, Antonio Palocci. "O ministro Palocci não poderia ter informação pior que este 1,2 negativo", afirmou Agripino. "Isso é culpa da falta de capacidade de calibragem da equipe econômica. O governo mata os fundamentos econômicos com taxas de juros exageradas". Segundo o senador, se os juros tivessem caído há quatro meses, o resultado do PIB não seria negativo. "Se há um ministro que possa ter a avaliação de sua gestão feita mês a mês, é o ministro da Fazenda", afirmou o senador. "Basta ver os indicadores econômicos. Se a economia responde bem, o ministro vai bem. Se responde mal, o ministro vai mal". Vilão é juro alto O líder da minoria na Câmara, deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), afirmou que o principal vilão da queda de 1,2% do PIB no terceiro é a alta taxa de juros básica , a Selic, definida pelo Banco Central. Segundo ele, este juro inibe os investimentos privados e tem levado a uma valorização excessiva da taxa de câmbio que prejudica as exportações do País. Além da taxa de juros, o líder pefelista criticou o que chamou de "desorientada" do governo, que tem uma política fiscal austera, mas que, segundo ele, peca por cortar investimentos em áreas estratégicas como educação, saúde, saneamento e infra-estrutura. "A combinação de falta de investimentos públicos e privados e exportações prejudicadas pelo câmbio é fatal para a economia", afirmou o líder oposicionista. O parlamentar avalia que a queda na economia é preocupante porque um "período prolongado de crescimento medíocre" mexe com o moral da população. "Isso com o tempo cria tensões sociais, intolerância, porque leva as pessoas a enxergarem um futuro sombrio. Quando se perde a esperança, pode acontecer de tudo", afirmou. Aleluia disse ainda que o desempenho econômico brasileiro mostra que o País está perdendo a "onda de prosperidade do mundo", pois tem crescido menos do que a grande maioria dos países da América Latina e menos do que os países emergentes ao redor do mundo. "É inadmissível, mas o fato é que é isso que está acontecendo", sentenciou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.