Oposição quer prazo para venda de bancos comprados pelo governo

A oposição pretende estabelecer um prazo para o governo revender as instituições financeiras que vierem a ser adquiridas pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal ou fazer com que o Tesouro ajude diretamente os bancos em dificuldade por conta da crise. O governo enviou ao Congresso uma medida provisória autorizando o BB e a Caixa a comprarem ações de instituições financeiras privadas, inclusive de previdência, mas a oposição quer condicionar seu voto ao prazo de revenda. "Do contrário, o Congresso estaria dando um cheque em branco ao governo para estatizar o setor", disse a jornalistas o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), depois de participar de reunião com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, no gabinete da presidência do Senado. Segundo Agripino, o prazo deveria ser de seis meses a um ano. O senador argumentou, no entanto, que é preferível o Tesouro Nacional assumir a responsabilidade de socorrer diretamente instituições financeiras em perigo. "Sendo o Tesouro, tem que haver a definição de um valor, do montante do socorro, como houve na América", sugeriu. "(Mas) Se insistirem em ser o Banco do Brasil e a Caixa, aí tem que ter um prazo." Os senadores governistas que participaram do encontro com Mantega divergiram sobre a proposta. "Nós não vamos dar prazo de validade porque não temos o prazo de validade da crise", disse o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). "A crise internacional, infelizmente, não tem prazo para acabar", acrescentou. O senador Renato Casagrande (PSB-ES) disse não ver problemas na proposta da oposição e revelou que durante a reunião Mantega também não demonstrou contrariedade. "Foi uma sugestão da oposição que todos os líderes concordaram e o ministro não discorda", declarou, rejeitando a idéia de que o Tesouro banque operações de resgate. O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) também se mostrou de acordo com a iniciativa do DEM. "Nos parece bastante correto, porque é uma medida de urgência", comentou. (Reportagem de Fernando Exman)

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