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Oposição se divide sobre a abertura de CPI para investigar a Petrobrás

DEM quer adiamento até que presidente da Petrobrás seja ouvido pelo Senado; PSDB quer abertura imediata

Christiane Samarco e Eugênia Lopes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

15 de maio de 2009 | 00h00

A instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobrás rachou a oposição e provocou um bate-boca ontem, no plenário do Senado, entre senadores do DEM e do PSDB. Enquanto os tucanos exigiam a criação imediata da CPI, o DEM sustentava o acordo fechado com os governistas pela manhã para adiá-la até que o Senado ouça o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli. No início da noite, o primeiro-secretário, Heráclito Fortes (DEM-PI), presidiu a sessão e se negou a ler o requerimento que cria a CPI. Irritados, os tucanos chegaram a trocar ofensas com Heráclito. Em meio aos ânimos acirrados, a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) pôs fim à polêmica encerrando a sessão. "Nós do PSDB não topamos acórdão. Queremos investigação. Não vamos esperar por nenhuma audiência do Gabrielli", afirmou ontem à noite o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). A sessão terminou, mas o bate-boca dos tucanos com Heráclito continuou no plenário. Para acalmá-los, o primeiro-secretário garantiu que "na terça-feira estaremos todos juntos". "Também vou lutar pela instalação dessa CPI", afirmou. Mas não convenceu. Os tucanos suspeitam que setores do DEM no Senado tenham se aliado ao líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL), que trabalhou para retirar assinaturas de apoio.O depoimento de Gabrielli só vai ocorrer daqui a duas semanas - na semana que vem, o presidente da estatal vai aos Estados Unidos e à China. Antes de bater o martelo pela instalação imediata da CPI, Guerra e os senadores tucanos Arthur Virgílio (AM) e Tasso Jereissati (CE) se reuniram com Gabrielli, no gabinete do líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP). Mas de nada adiantaram as explicações do presidente da Petrobrás. "As dúvidas não se resolvem com palavras. Tem de ter uma avaliação mais profunda", disse Guerra. O PSDB do Senado permaneceu irredutível na decisão de exigir a leitura do requerimento de instalação da CPI, que ontem contava com 32 assinaturas - cinco a mais do que o mínimo necessário. "Não importa que amanhã todos retirem as assinaturas e restem apenas os 13 senadores do PSDB. Hoje, pelo regimento, temos o direito de pedir a leitura para a criação da CPI", observou o líder Virgilio. Pela manhã, os líderes partidários acertaram em reunião que a criação da comissão ficaria suspensa até o depoimento de Gabrielli. Os tucanos não participaram da reunião no gabinete do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), mas o líder do DEM, senador José Agripino Maia (RN) informou ao colegiado que falava também em nome do PSDB. No início da noite, Virgilio defendeu-se dizendo que não sabia que os líderes estavam tratando de CPI e que sua bancada não aceitava o adiamento. A proposta acordada pelos líderes partidários prevê o depoimento de Gabrielli em sessão conjunta das comissões de Assuntos Econômicos (CAE), de Infraestrutura e de Constituição e Justiça (CCJ). "Foi um consenso dos líderes: primeiro vamos ouvir o Gabrielli e a instalação da CPI fica dependendo disso", afirmou o presidente Sarney, deixando claro que a abertura do inquérito dependeria do desempenho de Gabrielli no convencimento dos senadores.

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