Orange e T-Mobile unem filiais no Reino Unido

Nova empresa será a maior da Inglaterra em celulares

Andrei Netto, O Estadao de S.Paulo

09 de setembro de 2009 | 00h00

As maiores operadoras de telefonia celular da França e da Alemanha anunciaram ontem a fusão de suas subsidiárias britânicas, criando a maior companhia do setor no Reino Unido. A francesa Orange, subsidiária da France Télecom, e a alemã T-Mobile, da Deutsche Telekom, até aqui terceira e quarta maiores companhias do segmento no país, criarão uma joint venture que já nasce líder do setor no país, com 28,4 milhões de clientes e 37% de um dos mais valiosos mercados do mundo.

A fusão será assinada até o fim de outubro e precisará ser analisada pelos órgãos de regulação da concorrência no Reino Unido. A associação manterá a paridade 50%-50% para as duas matrizes, France Télecom e Deutsche Telekom, na nova empresa, que reunirá os 15,9 milhões de clientes da Orange UK e os 12,5 milhões da T-Mobile UK. A soma dos usuários das duas redes colocará a futura companhia à frente da O2, que é controlada pela espanhola Telefónica. A O2 detém atualmente 27,7% do mercado britânico de telefonia celular. A atual segunda colocada, a britânica Vodafone, tem uma participação de 24,7%.

Com a fusão entre as duas operadoras, o Reino Unido terá o número de concorrentes reduzido a quatro operadores nacionais de telefonia celular, igualando-se, assim, aos demais grandes países europeus. "O Reino Unido era o único grande mercado europeu no qual havia cinco grandes operadoras. A taxa de rentabilidade média do mercado de telefonia móvel britânico é muito baixa", argumentou à rádio parisiense BFM o diretor financeiro da France Télecom, Gervais Pellissier. "Nós só antecipamos a consolidação esperada há muito tempo em um dos mercados europeus mais concorridos."

O anúncio da união entre as duas companhias foi feito no início da manhã de ontem, antes da abertura dos mercados financeiros de Londres, Paris e Frankfurt. Para concretizar o negócio, a Deutsche Telekom fará uma injeção de recursos da ordem de 650 milhões, que ingressarão diretamente na conta da Orange, reduzindo suas dívidas.

EMERGENTES

Para a empresa francesa, a vantagem da associação foi, de acordo com seus executivos, criar uma companhia líder de mercado sem ter de desembolsar novos recursos. Com isso, a empresa pode manter seu foco dos investimentos em mercados emergentes, como o Vietnã, a Argélia e o Egito.

Já a T-Mobile se encaminha, com o negócio, para o fim de sua crise. Quarta maior operadora no Reino Unido, a companhia enfrentava a diminuição de clientes e a redução de sua rentabilidade. Só no período acumulado entre janeiro e junho deste ano, a empresa perdeu 1,8 bilhão de seu valor de mercado nas bolsas de valores europeias.

A futura marca - a ser criada dentro de 18 meses, período no qual ambas as bandeiras continuarão existindo - nascerá com sinergia de custos de 4 bilhões até 2010, a maior parte relativa ao compartilhamento das redes de dados de segunda geração (2G) e terceira geração ( 3G). Em Paris, a recepção ao negócio foi calorosa na bolsa de valores. Na abertura do pregão, as ações da Orange subiram 2%. Em Frankfurt, o entusiasmo foi menor: 0,4% de valorização para a T-Mobile.

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