Orçamento argentino prevê déficit de 1% do PIB

A proposta de orçamento que o governo argentino vai enviar ao Congresso prevê um déficit fiscal de 2,7 bilhões de pesos, "substancialmente inferior aos quase 11 bilhões do ano passado", segundo o chefe do Gabinete de ministros, Jorge Capitanich.Ele afirmou que o déficit é inferior a 1% do PIB argentino. Apesar de precisar da lei aprovada para poder negociar qualquer ajuda concreta do Fundo Monetário Internacional, o governo só deve apresentar o projeto ao Congresso na semana que vem.Para chegar a esse número, o governo está prevendo cortes de despesas equivalentes a 15% do total do gasto nominal do setor público, que é de 38,7 bilhões de pesos.Segundo Capitanich, haverá redução de 35% das secretarias e de 50% das subsecretarias de Estado. Ele descartou um aumento de impostos para este ano e disse que os programas sociais vão receber 1 bilhão de pesos.Capitanich anunciou ainda que a Argentina não pagará os juros dos bônus da dívida pública lançados no exterior e no mercado interno e só honrará os compromissos com organismos internacionais.Nas previsões desta quarta - o Ministério está mexendo nos números todos os dias - o PIB cairia 2% em relação ao ano passado, e a inflação chegaria a aproximadamente 8%, o que é admitir que o país viverá recessão com inflação.O texto a ser enviado ao Congresso também estabelece que será repassada às províncias uma porcentagem dos impostos efetivamente arrecadados e não um mínimo total de 1,3 bilhão de pesos, como determinava o acordo de coparticipação federal que o governo tinha com os Estados, mas que deixou de ser cumprido por causa da queda da arrecadação.Para o economista Rafael Ber, da consultora Argentine Research esses números são "possíveis". "A queda de 11 bilhões para 2,7 bilhões de pesos pode ser o resultado de subtrair do total 6 bilhões de serviços da dívida externa que não serão pagos, além de mais 2 bilhões de corte do orçamento global", que abrange as despesas da União e das províncias.Segundo ele, "o importante é que esses números não fiquem muito defasados da realidade, senão será necessário fazer novos cortes durante o ano".O economista José Luis Espert, porém, acredita que será impossível cumprir essas metas. "O ex-ministro Domingo Cavallo reduziu as despesas em 3,5 bilhões e deixou o país nesta situação. Afirmar que é possível reduzir 2 bilhões de pesos com o fechamento de secretarias é mentir."Para Espert, o governo terá de fazer novos ajustes para conseguir atingir esse déficit de 2,7 milhões. E prevê que os cortes serão realizados sobre montantes que já sofreram redução no ano passado, como a verba para pagamento do funcionalismo público e de aposentados (reduzida em 13%) e o dinheiro repassado às províncias (reduzido em 15%). "Na situação atual dos argentinos, é impossível fazer mais ajustes", disse.Leia o especial

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