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Orçamento com déficit foi peça-chave para decisão, afirma diretora da S&P

Desafios do Brasil se acumulam e ambiente político pesa, avaliou Lisa Schineller; segundo a diretora, Brasil pode sofrer novo rebaixamento: 'Esperamos que o governo esteja em ação'

Luciana Antonello Xavier e Fernando Nakagawa, correspondente em Nova York, O Estado de S. Paulo

10 Setembro 2015 | 13h44

A diretora-gerente de ratings soberanos da Standard & Poor's (S&P), Lisa Schineller, reforçou nesta quinta-feira, 10, em teleconferência, que a proposta de Orçamento, contendo déficit primário em 2016, enviada pelo governo ao Congresso há 10 dias, foi a peça-chave para a decisão da agência de rebaixar ontem o rating soberano do Brasil de BBB- para BB+, mantendo a perspectiva negativa da nota.

"A decisão reflete a percepção maior de riscos na execução do plano econômico do governo, em particular no lado fiscal", afirmou. "Houve piora tanto no lado fiscal como no econômico", acrescentou.

Para Lisa, o Orçamento com previsão de déficit de R$ 30,5 bilhões "sinaliza uma mudança no desejo de coesão e em ir em frente com um plano sólido, de negociar com o Congresso". "Os desafios do Brasil continuam a se acumular. No lado fiscal, os desafios continuam. A mudança de meta de superávit primário em julho para déficit agora é importante", ressalta.

Segundo ela, ainda que a agência entenda que o governo está preparando medidas fiscais para enviar ao Congresso, o ambiente político atual torna difícil o avanço no lado fiscal.

Lisa Schineller explicou que a economia tem sido afetada pelas investigações das denúncias de corrupção na Petrobrás com a Operação Lava Jato. "Os riscos institucionais aumentaram", disse. "E mantivemos a perspectiva negativa porque há risco de deterioração da situação atual", explicou.

A diretora disse que a S&P continua a ver aumento da dívida e maior deterioração fiscal no País, o que poderia levar a um novo downgrade. "Mas podemos mudar a perspectiva para estável quando tivermos menos incertezas", ponderou. 

Lisa deixou claro que ainda que o governo esteja lento nas suas ações nas áreas fiscal e econômica, a agência espera que a atual administração siga tentando avançar. "Esperamos que o governo esteja em ação ainda que atrasado. Não esperamos inação", disse. "O ritmo da ação, no entanto, tem sido lento, e esperamos demora no avanço. No longo prazo, no entanto, esperamos melhora no lado fiscal", acrescentou.

Sobre a Petrobrás, Lisa disse que as denúncias de corrupção envolvendo a estatal não somente têm colaborado para a piora da economia como afetam a própria empresa. "Notamos que a dinâmica da Petrobrás enfraqueceu no último ano", afirmou. Por outro lado, Lisa citou que o governo "tem provido suporte extraordinário e necessário (à empresa)". 

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