Orçamento da Embrapa terá mais R$ 650 milhões

Recursos para pesquisa agropecuária serão destinados até 2010; com mais R$ 264 milhões para órgãos estaduais, serão R$ 914 bi no período

Fabíola Salvador e Ana Conceição, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

23 de abril de 2008 | 00h00

Em meio à preocupação dos organismos internacionais com a escassez de alimentos nos países pobres, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), uma das maiores instituições de pesquisa agrícola do País, vai receber um reforço de caixa.Em cerimônia que vai ser realizada hoje no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve anunciar aumento de R$ 650 milhões no orçamento da Embrapa, que serão distribuídos neste ano, em 2009 e em 2010. Órgãos estaduais receberão outros R$ 264 milhões, o que totalizará R$ 914 milhões para a pesquisa no período. Em 2007, o governo aplicou R$ 1,1 bilhão na Embrapa.O valor de R$ 914 milhões supera com folga as estimativas iniciais, que indicavam aplicação extra de R$ 500 milhões em pesquisa no período de três anos. O recurso adicional faz parte do que está sendo chamado de Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) da Embrapa e está sendo lançado em comemoração aos 35 anos da instituição, fundada em 26 de abril de 1973, mas outros órgãos de pesquisa também serão beneficiados pelo pacote.De acordo com o presidente da Embrapa, Silvio Crestana, o plano vai possibilitar que a empresa enfrente os desafios da agricultura brasileira. "Estaremos bem mais preparados, por exemplo, para criar alternativas de bioenergia, nova base tecnológica para convivência da agricultura e pecuária com as alterações climáticas globais e a redução de desequilíbrios sociais e econômicos."Uma fonte do Ministério da Agricultura lembrou que a pesquisa agropecuária é fundamental para elevar a produtividade das lavouras.Com os recursos adicionais, a Embrapa recupera o orçamento que teve nos últimos anos. De 1980 a 2000, a instituição teve, em média, R$ 900 milhões por ano (valor corrigido pela inflação do período). No pico, em 1996, chegou a R$ 1,4 bilhão. Depois, houve queda acentuada que se estendeu até 2004/05. "Se continuássemos naquele ritmo, fecharíamos a Embrapa em 2010, com um orçamento de R$ 400 milhões, que não cobriria salários, investimentos e custeio", disse Crestana em entrevista recente.De acordo com uma fonte do governo, o PAC da Embrapa foi desenhado para atender às crescentes demandas da classe produtiva e, em última instância, aos próprios consumidores, que hoje estão mais interessados na relação da nutrição com a saúde. Há pedidos por laboratórios e instalações nos seis Estados que ainda não têm unidades da Embrapa.Atualmente, as pesquisas que demandam mais investimentos estão relacionadas à agroenergia, mudanças climáticas e rastreabilidade, temas de discussões internas e fóruns internacionais.Além da questão da pesquisa, outra preocupação é com o quadro de funcionários da Embrapa. A idéia é investir parte dos recursos adicionais em aperfeiçoamento e também na renovação de quadro, já que a maioria dos funcionários da Embrapa está formada há 20 ou 30 anos. Nos próximos cinco anos, entre 2 mil e 2,5 mil funcionários estarão em condições de se aposentar, de um total de 8,6 mil.

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