Orçamento de Duhalde prevê déficit de 3 bi de pesos

Com atraso de quase quatro meses, o governo argentino deve encaminhar no início da noite de hoje ao Congresso o projeto do Orçamento de 2002. De acordo com informações preliminares antecipadas aos meios de comunicação, a administração do presidente Eduardo Duhalde prevê fechar este ano com um déficit fiscal de 3 bilhões de pesos, ou US$ 2,143 bilhões, conforme a taxa de câmbio oficial de 1,40 peso por dólar, em vigor até sexta-feira. O texto estima ainda uma inflação de 15% para 2002.Embora não tenha havido antecipação alguma em relação o Produto Interno Bruto (PIB), o chefe de gabinete, Jorge Capitanich, disse em declarações a uma rádio de Buenos Aires que a economia argentina em 2000 deve retrair-se 4,9%, considerando um encolhimento de aproximadamente 8% no primeiro trimestre. As projeções oficias indicam que a reativação poderá ocorrer somente a partir do terceiro trimestre, com um crescimento exíguo de 0,4% entre julho e setembro, e de mais ou menos 4% nos últimos três meses do ano.De acordo com o texto, que será apresentado hoje na Comissão de Orçamento e Fazenda da Câmara de Deputados pelo secretário da Fazenda, Oscar Lamberto, e por Capitanich, o Orçamento foi calculado com base ao atual câmbio oficial. Isto é, mesmo que o dólar venha a disparar, como vem sendo previsto pelo mercado, o governo acredita que a taxa de câmbio poderá se estabilizar em torno de 1,40 peso no decorrer dos próximos meses.O déficit programado para 2002 praticamente é 1/3 do que foi registrado em 2001, quando alcançou 9 bilhões de pesos (US$ 9 bilhões na base de um por um por causa da conversibilidade). Lamberto disse o jornal Clarín que o déficit deste ano será de 1,5% do PIB, o menor em 15 anos. O governo incluiu nos gastos a transferência de 6 bilhões de pesos referente a juros da dívida externa contraída com organismos multilaterais de financiamento (FMI, Bird e BID) e aos detentores de bônus do primeiro "swap" realizado exclusivamente no mercado interno. O pagamento a investidores privados continuará suspenso.Com relação aos salários do funcionalismo público, aposentados e pensionistas, a administração Duhalde manteve no Orçamento deste ano o corte de 13% definido pelo então ministro de Economia Domingo Cavallo. O governo determinou ainda uma redução de 13% no piso de co-participação de impostos com as províncias.Finalmente, o governo estima emitir 3,5 bilhões de pesos este ano, mas apenas 1 bilhão de pesos serão enviados ao tesouro, o que implica desempenho orçamentário ajustado, de acordo com a equipe econômica, para cumprir com os "estritos e rigorosos limites acertados".Leia o especial

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