Orçamento dos EUA é insustentável, diz indicado por Obama

Peter Orszag, que vai ocupar Escritório de Orçamento, diz que Obama herdará 'posição fiscal pouco promissora'

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

13 de janeiro de 2009 | 15h30

O indicado para ocupar a direção do Escritório de Gestão e Orçamento dos Estados Unidos durante a administração Obama, Peter Orszag, disse que o próximo governo do país herdará uma "posição fiscal pouco promissora" e que os gastos com saúde precisarão ser reduzidos, de forma a devolver o orçamento federal para um caminho sustentável no longo prazo.  Veja também:Desemprego, a terceira fase da crise financeira global De olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise  "Mesmo depois de a economia se recuperar da atual desaceleração, sob as atuais políticas, a nação está diante da perspectiva de déficits orçamentários que, acreditamos, serão equivalentes a aproximadamente 5% do PIB nos próximos cinco a 10 anos", afirmou Orszag durante uma audiência com o Comitê de Orçamento do Senado. "No longo prazo, a situação deve piorar, devido ao aumento dos gastos com saúde e da aposentadoria dos baby boomers", acrescentou, referindo-se à geração norte-americana que nasceu após a Segunda Guerra Mundial.  Durante a audiência, Orszag disse também que o prognóstico econômico para o curto prazo é "desolador" e requer a rápida implementação do plano de estímulo proposto pelo presidente eleito dos EUA, Barack Obama. Sem as medidas, a economia pode perder de três a quatro milhões de empregos ao longo do ano.  O déficit orçamentário norte-americano deve superar US$ 1 trilhão no atual ano fiscal, mais que o dobro do recorde anterior. O esforço de Obama para estimular a economia elevará o déficit ainda mais no curto prazo, conforme admitiu Orszag. Quando a economia se recuperar, a administração deve deslocar a atenção para os desafios fiscais de médio e curto prazos, porque atualmente o orçamento trilha um "caminho insustentável", acrescentou.  Orszag avaliou que os EUA possuem um espaço de manobra significativo para responder a crises porque a dívida norte-americana é considerada um investimento seguro em todo o mundo. "A menos que haja uma mudança nas políticas, no entanto, no longo prazo esta percepção pode mudar - o que provocaria não só uma crise fiscal, mas também limitaria nossa capacidade de responder de forma flexível a qualquer dificuldade econômica no futuro", acrescentou.  Em relação ao orçamento para a saúde, Orszag disse que a administração Obama precisa pensar em maneiras de diminuir os gastos em vez de apenas conter o crescimento dos planos de saúde financiados pelo governo. Segundo ele, os EUA possuem "oportunidades massivas" para cortar custos sem prejudicar a saúde do país.  A confirmação de Orszag como diretor do Escritório de Gestão e Orçamento deve enfrentar poucas barreiras no Senado, já que legisladores de ambos os partidos expressaram apoio à indicação.

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